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Paranaense de 120 anos espera entrar para o livro dos recordes

Jesuína Cardoso pode ser mulher mais velha do mundo; ela teve de provar que estava viva para não ter aposentadoria bloqueada

Julio Cesar Lima, ESPECIAL PARA O ESTADO e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2016 | 03h00

CURITIBA e SOROCABA - Jesuína dos Santos Cardoso, moradora do distrito de Porto Espanhol, na pequena cidade de Rio Branco do Ivaí, interior do Paraná, a 300 quilômetros de Curitiba, pode ser a mulher mais velha do mundo. Ela tem 120 anos, conforme registro de documento oficial.

Enquanto o advogado da família trabalha para incluir a aposentada no Guinness World, o Livro dos Recordes, como a pessoa de mais idade que vive na Terra, Jesuína precisou viajar 500 quilômetros até uma agência do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em Apucarana para comprovar que estava viva.

A aposentadoria dela teria sido bloqueada por suspeita de que ela já tivesse morrido. Ao se apresentar na agência, para cumprir uma exigência legal, os funcionários se espantaram com a idade e recomendaram que o Guinness fosse procurado. O INSS nega que a segurada tenha sido dada como morta.

"O INSS enviou correspondência para a titular do benefício pedindo que a procuradora legal cadastrada comparecesse à Agência da Previdência Social (APS) em Apucarana a fim de renovar a procuração que se encontrava com a validade vencida. Como o endereço constante no sistema do INSS encontrava-se desatualizado, não foi possível contato com a segurada, nem com sua procuradora. Por este motivo, o INSS bloqueou o pagamento da competência de abril/2016. Não houve suspensão ou cessação do benefício", respondeu o Instituto à reportagem.

O advogado e vereador Valdir Correia dos Santos tenta agora auxiliar a família a obter o reconhecimento. Ele enviou para o Guinness  uma certidão antiga de Jesuína, mas os representantes no Brasil pediram uma certidão atualizada do Livro de Registros. “Entendo esse cuidado que eles têm, até porque em 1896 eram outros tempos”, comentou o parlamentar.

Correia pediu a nova certidão ao Cartório de Registros de Reserva, a cidade paranaense onde Jesuína nasceu em 30 de janeiro de 1896. Ele espera a chegada do documento e está confiante em provar que Jesuína é a pessoa mais velha ainda viva. “Li sobre várias pessoas que eram consideradas as mais velhas, que já morreram, e elas tinham de 116 a 122 anos. Por isso acredito nesta possibilidade (de registro).”

Atualmente, Jesuína mora com a neta, Dalíria Cardoso, de 53 anos, na localidade com pouco mais de 300 habitantes. Cerca de 50 são familiares de dona Jesuína, que tem 36 netos, 63 bisnetos e 44 tataranetos. Dos 15 filhos que teve, todos em casa, 3 ainda estão vivos.

A neta afirma que ela sempre teve uma boa alimentação e só foi ao médico depois dos 100 anos. “Depois disso, passou a tomar remédio para o coração e a pressão. Mas até os 110 anos ainda pegava lenha para acender o fogão.”

Dalíria disse ainda que Jesuína mantém uma rotina saudável, com base em um bom café, chimarrão, vitamina, mingau de alho e frutas. “O milho, feijão, legumes, verduras e frutas, ela e o marido plantavam. Também criavam galinha e o porquinho que comiam. Era tudo sem conservante, sem veneno.”

Guinness. O Livro dos Recordes registra como mulher mais velha do mundo ainda viva Emma Morano, da Itália, nascida em 29 de novembro de 1899, portanto com pouco mais de 116 anos. A brasileira ainda poderia alcançar o recorde mundial em idade já registrado pelo Guinness, hoje da francesa Jeanne Calment, que morreu em 1997, aos 122 anos. 

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