Paranaense é perseguido e morto por policiais nos Estados Unidos

André Martins, que vivia em Massachusetts, estaria dirigindo a 140 km/h e não teria parado ao sinal de patrulheiro

Patrícia Campos Mello, Helen Sinzker, Especial Para o Estado e William Glauber, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2008 | 00h00

O paranaense André Martins, de 25 anos, foi morto na madrugada de anteontem por policiais em Yarmouth, no Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Segundo autoridades americanas, o brasileiro, que trabalhava como pintor, passou por um patrulheiro em alta velocidade e, após receber alerta para encostar o veículo, saiu em disparada. Ao ser abordado pelo policial, recebeu vários tiros. Um disparo acertou o coração e o pulmão. A companheira de André, a mineira Camila Campos, de 25 anos, que estava no veículo, não sofreu ferimentos. Ela, que trabalha em uma clínica ginecológica e é mãe de uma menina de 6 anos e de um menino de 2, afirmou que o carro estava parado na hora em que o policial disparou e que ela só não foi atingida porque se abaixou. "Ninguém pediu para que saíssemos do carro", disse.Segundo o promotor Michael O?Keefe, que investiga o caso, a perseguição começou à 1h10, quando André passou pela viatura de Christopher Van Ness. O policial acendeu as luzes azuis, sinalizando para que ele parasse. André acelerou e chegou a 140 quilômetros por hora, segundo testemunhas. Outros policiais fizeram um bloqueio. Camila afirmou que André desviou ao ver que não daria tempo de parar e bateria na segunda viatura que bloqueou a passagem. Segundo O?Keefe, ele bateu no carro de Van Ness, que saiu atirando. André morreu a caminho do hospital. O relatório de O?Keefe apontou também que o brasileiro estava com um cigarro de maconha na boca no momento em que os paramédicos chegaram. O promotor não quis dizer se vai responsabilizar o policial criminalmente pela morte de André. Detetives da polícia estadual estão fazendo a reconstituição e analisando a balística. A promotoria não especificou quantos tiros atingiram o paranaense. Camila disse pensar em processar o Estado de Massachusetts.Segundo o pai de André, Luiz Carlos de Castro Martins, que vive no Paraná, o filho tinha tido uma audiência por dirigir acima do limite de velocidade na quarta-feira passada. Luiz Carlos já morou nos EUA e crê que se trata de um caso isolado.Para os brasileiros da região, André foi vítima de perseguição. "Aqui tem dessas coisas. Quando um policial não vai com a sua cara, começa a te parar a toda hora", conta o mineiro E.J., que trabalha como motorista há sete anos. André morava ilegalmente no país desde 2001. Camila, que vive nos EUA há 18 anos e está regularizada, fez um apelo para que não haja discriminação. "Não importa se viemos do Brasil ou dos Estados Unidos. Ser imigrante não é razão para atirar em alguém."Camila ainda não contou aos filhos sobre a morte do pai. "Como eu vou dizer que um policial atirou e matou o pai deles?" Segundo Camila, a filha era muito apegada a André. A família já entrou em contato com uma psicóloga para acompanhar a reação da menina."Agora eu fiquei sozinha para cuidar dos meus dois filhos, um com necessidades especiais. André sempre me ajudou muito. Ele era um bom homem, trabalhador", disse ela. O filho perdeu 30% da audição.Fausto Mendes da Rocha, do Centro do Imigrante Brasileiro de Massachusetts, disse que os brasileiros temem a ação policial. "O local é muito pequeno, e nosso medo é de que os brasileiros sejam perseguidos."

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