Paranaenses e gaúchos engrossam movimento de volta para casa

Rio Grande do Sul lidera retorno, com taxa 24%; em seguida vêm Pernambuco, com 23,6%, e Paraná, com 23,4%

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2011 | 00h00

RIO

Levados ao Centro-Oeste pela expansão da fronteira agrícola e ao Sudeste em busca de emprego em indústria e serviços, paranaenses e gaúchos estão voltando para casa. No período de 2004 a 2009, equipararam-se aos nordestinos, que lideram o movimento de retorno aos Estados de origem desde os anos 90.

A Pnad 2009 apontou o Rio Grande do Sul como líder na taxa de retorno: do total de imigrantes no Estado, 24% voltavam à terra natal. Em seguida vieram Pernambuco, com taxa de 23,6%, e Paraná, com 23,4%.

No Nordeste, as taxas de retorno ajudaram a reduzir o índice de saída da população. Entre 1995 e 2000, 1,4 milhão de nordestinos tinha migrado para outras regiões. Entre 2004 e 2009, este número caiu para 729 mil.

O saldo, porém, ainda é negativo. Para cada cem migrantes que chegaram ao Nordeste, 134 deixaram a região. Outros Estados nordestinos com altas taxas de retorno são Sergipe (21,6%), Rio Grande do Norte (21,1%) e Paraíba (20,9%).

Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe, José Roberto de Lima Andrade aponta os investimentos em portos e refinarias, que demandam muita mão de obra, e a ampliação do setor têxtil como alguns pontos de atração para a região. "O dinamismo econômico do Nordeste está repatriando nordestinos e atraindo pessoas de outras regiões, inclusive mão de obra qualificada. Se esse dinamismo se mantiver, associado à qualidade de vida que muitas cidades oferecem, acredito que o saldo migratório se tornará superavitário."

Migração. A Região Sul inverteu a tendência de "exportação" de moradores da década de 90. Entre 1995 e 2000, o Sul perdeu 349 mil moradores e ganhou 330 mil, um saldo negativo de 19 mil pessoas. Entre 2004 e 2009, chegaram à região 252,9 mil migrantes e 154 mil saíram, um saldo positivo de 98,8 mil pessoas.

Com exceção da busca de oportunidades em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram rumos diferente de migração. Enquanto paranaenses procuraram oportunidades na agricultura emergente em Mato Grosso, gaúchos optaram pelos Estados da própria região, Paraná e Santa Catarina. "No início dos anos 2000 a fronteira agrícola estava esgotada, por causa da alta mecanização. Essa deve ser a razão do retorno ao Paraná", diz o pesquisador do IBGE, Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira.

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