Parar na Berrini sai R$ 30/dia

Região perde vagas nas ruas e estacionamentos ficam mais caros

Elvis Pereira e Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

14 Julho 2009 | 00h00

A região da Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo, entrou ontem numa nova fase, em que deverá ficar conhecida pela falta de vagas de estacionamento e pela dificuldade de acesso. A Companhia de Engenharia de Tráfego eliminou 3,4 mil vagas na rua duas semanas antes de proibir a circulação de ônibus fretados na cidade, inclusive nas ruas do Brooklin. A região foi uma das que mais cresceram na última década, com 2,7 milhões de metros quadrados de área construída, mas a oferta de transporte público não acompanhou o boom imobiliário. Ali não chega metrô. Apenas uma estação de trem da CPTM, na Marginal do PInheiros, atende quem mora e trabalha nas proximidades da avenida, por onde passam em média 1.960 veículos e 160 ônibus por hora. Das 1.332 linhas de transporte urbano em operação na cidade, 18 passam pela Berrini. "As pessoas não vão conseguir chegar", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor de Estudos Especiais da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio. Ele estima que os novos empreendimentos imobiliários fizeram com que pelo menos 25 mil carros a mais se dirijam àquela área por dia. Os valores pagos para estacionar na Berrini não são nada convidativos. Mensalistas chegam a pagar R$ 350. Com o corte de vagas, o preço para guardar os carros também deve afastar os motoristas. O urbanista João Valente Filho afirma que as medidas adotadas pela Prefeitura devem melhorar a fluidez, mas esse espaço que será aberto nas vias tem de ser ocupado pelo transporte público. Ontem, no primeiro dia de proibição para estacionar na rua, os motoristas ainda desconheciam as mudanças. Por mais de um ano, a rotina da supervisora Christiane Eloi, de 39 anos, consistia em sair de casa às 6 horas para assegurar uma vaga na Rua Sansão Alves dos Santos. "Eu chegava aqui às 7 horas (duas antes de iniciar o expediente)." Ao saber que não poderia mais parar na via, respondeu: "Não tem onde parar. Já procurei." A tática de "madrugar" na região era a mesma adotada pela analista de sistemas Adriana Lopes, de 28 anos. Ontem, ela teve de recorrer a um estacionamento cuja diária era de R$ 30.

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