Parasitas e bactérias são perigos à beira-mar

Dermatologista recomenda atenção redobrada onde haja animais passeando na areia

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

A primeira vez foi aos 13 anos; a segunda, aos 16. Hoje com 29 anos, o professor de educação física Marcelo Netto Gonçalves ainda se lembra da dor e do incômodo que sentiu ao ser contaminado pelo popular bicho geográfico (larva migrans) nas areias da praia de Santos."Da segunda vez, eu e a turma toda que jogava bola na praia pegamos, mas eu fiquei pior. Peguei no corpo todo e virou uma infecção geral, além da pomada, tive de tomar antibiótico durante um mês", conta.O portuário Sérgio Coelho, de 48 anos, foi contaminado pela doença em São Sebastião. "Sempre frequentei a praia de Santos e fui pegar isso na praia do centro, em são Sebastião", afirmando que tratou da doença com gelo e furando com uma agulha.Colaboradora do Departamento de Dermatologia da Unifesp, a dermatologista Solange Teixeira afirma que a larva migrans é mesmo o parasita mais frequente a transmitir doença na areia da praia. "Há também a tunga penetrans, que é um tipo de pulga, mas é mais comum no nordeste", diz a médica, lembrando ainda que quando a pessoa já está com algum machucadinho na pele fica mais suscetível a pegar infecções por fungos e bactérias.De acordo com a dermatologista, o lixo espalhado na praia ajuda na proliferação de bactérias causadoras de doenças, porém, os principais vilões das dermatites são mesmo as fezes de cães e gatos. "O bicho geográfico é causado por parasitas intestinais de cães e gatos." A dica de Solange para evitar a contaminação é evitar praias onde haja animais. "Nesse caso teria de usar uma sandália, não sentar na areia e tomar banho assim que voltar para casa."Em Santos, cães e gatos que estiverem caminhando pela areia da praia podem ser recolhidos ao Centro de Zoonoses e seus donos têm de pagar até R$ 50,82 para a retirada dos animais. Proprietários de animais de pequeno porte poderão andar na areia com eles no colo, com as devidas coleira e focinheira. O projeto de lei complementar que alterou o artigo 294 do Código de Posturas do município foi aprovado pelo prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) em março.

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