Paraty estima prejuízo de R$ 20 milhões com as chuvas

Setor turístico, o forte do município histórico do litoral fluminense, é um dos que mais sofre

Agência Brasil,

19 de janeiro de 2009 | 17h37

Um novo balanço divulgado pela prefeitura de Paraty estima em R$ 20 milhões os prejuízos causados pelas chuvas ao município, na região sul fluminense. Boa parte do valor refere-se às perdas do setor de turismo, responsável por 60% da economia do município. Há uma semana, parte da cidade foi atingida por uma tromba d'água que provocou a enchente do Rio Perequê-Açu, o principal da região. Doze bairros ficaram alagados. Além disso, o abastecimento d'água foi interrompido durante seis dias e novamente nesta segunda.   Veja também: Paraty volta ter abastecimento d'água interrompido  Todas as notícias sobre vítimas das chuvas      Segundo dados da Secretaria municipal de Turismo, é nesta época do ano que Paraty recebe o maior número de turistas. Na alta temporada, entre os meses de dezembro e fevereiro, são 15 mil visitantes por dia. Por causa da chuva, esse número pode, no entanto, ter caído cerca de 40% nesta semana, conforme estima o Paraty Convention & Visitors Bureau, entidade sem fins lucrativos que reúne empresários e comerciantes ligados ao turismo na região.   "Sofremos um baque muito grande e agora estamos trabalhando para recuperar os prejuízos. O turista ficou assustado, muita gente que estava na cidade decidiu ir embora mais cedo e outros que estavam para chegar resolveram mudar o destino. Mas agora é hora de retomar nossa vocação turística", disse o vice-presidente da entidade, Paulo Renato Seelig. Ele garantiu que a programação cultural, que inclui shows e apresentações artísticas, está mantida para as próximas semanas.   Ainda alheia ao calendário cultural da cidade e sem acreditar no prejuízo que teve, Keli Bozetti, dona de uma das pousadas mais atingidas pela enchente do Rio Perequê-Açu, lembra com pesar do desespero dos cerca de 40 hóspedes que dormiam no local, quando foram surpreendidos pela força da água. "Minha pousada fica bem em frente a uma das pontes que passam pelo rio. Com a enxurrada, as árvores que foram arrancadas acabaram formando um gargalo e, como a água não passava, veio toda em nossa direção. Tivemos que levar todos os hóspedes, em plena madrugada, para o segundo andar. De lá, vimos os 18 carros que estavam no estacionamento sendo destruídos pela água que chegou a quase dois metros", conta.    Ela calcula em R$ 90 mil o total dos prejuízos. Até a enchente, a pousada estava com lotação completa prevista para até o fim do mês. Sem água e com os móveis e eletrodomésticos destruídos, foi preciso fechar as portas por seis dias. Só nesta manhã, Keli decidiu reabri-la para receber apenas 10% de sua capacidade.   Outros serviços também sofreram impacto da cheia. O guia turístico Jurandir Ribeiro, que trabalha oferecendo passeios de barco aos visitantes, em geral consegue vender diariamente nesta época do ano cerca de 50 pacotes. Na semana passada, vendeu em média dez passeios por dia. Já Carla Pereira, dona de uma banca de jornais no centro histórico, disse que, desde sábado, contabilizou queda de mais de 40% no movimento.

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