Parentes acusam IML de identificar só pessoas mais conhecidas

Eles também manifestaram a insatisfação das famílias com as informações desencontradas

Elder Ogliari, Estadão

22 Julho 2007 | 19h43

Cerca de cem familiares e amigos de pelo menos quatro vítimas do vôo 3054 fizeram uma manifestação no saguão do Aeroporto Salgado Filho no final da tarde deste domingo, 22, para cobrar agilidade dos responsáveis pelo reconhecimento dos corpos que estão no IML de São Paulo e denunciar o que qualificam como descaso das autoridades e da TAM diante da tragédia que pode ter matado quase 200 pessoas, na terça-feira passada.   Veja também: Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054   Insatisfeitos com a demora para o reconhecimento dos corpos, os manifestantes acusam o IML de priorizar a identificação das pessoas mais conhecidas, de não aceitar ajuda de legistas de fora de São Paulo e nem admitir que médicos e dentistas pessoais das vítimas possam auxiliar na identificação.   O empresário Luiz Moysés, marido da passageira Nádia Bianchi Moysés, anunciou que vai pedir ao prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PPS), e à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), que também entrem na mobilização pela identificação dos corpos. Ele chegou a reconhecer que os legistas escalados para o trabalho fazem o possível. "Mas como é difícil e demorado, eles deveriam aceitar a ajuda de outros profissionais", afirmou. Para comprovar, a dentista Larissa Leite, que atendia Nádia, contou que se prontificou a ir a São Paulo participar do reconhecimento. "O IML avisou que não permitiria minha entrada", queixou-se.   "Queremos os corpos para fazer as homenagens que essas pessoas merecem e seguir nossas vidas", discursou, como líder da manifestação. Entre os participantes, Eloísa Ramos, de 58 anos, que perdeu a mãe, Elcita, de 85 anos, concordava. "Não é justo não chegar ao final de um ciclo, que é enterrar um ente querido". Também participaram pessoas ligadas à jornalista Kátia Escobar, 43 anos, e à comissária de bordo Karen Melissa Ramos, 31 anos.   Vestidos de preto, os manifestantes sentaram-se ao chão, em duas fileiras, com corredor do meio, como se estivessem dentro de um avião, diante da loja da TAM. Ao fundo, uma faixa pedia "Justiça urgente, precisamos dar um final digno para as centenas de vítimas da incompetência e do descaso" e outra ironizava a situação com a frase "Parabéns Anac pela maior tragédia da aviação brasileira".   Transferência de corpos   O empresário também manifestou a insatisfação da família com as informações desencontradas. No sábado, ele deixou os sogros Oscar e Lola Bianchi em São Paulo para a coleta de sangue para o exame de DNA. No domingo, recebeu a informação que a coleta só será feita na próxima terça-feira, conforme a agenda dos médicos. "Mas não basta uma enfermeira para isso?", perguntou.   Ao mesmo tempo, Moysés disse que as famílias chegam aos hotéis e recebem a informação de que a TAM só faz reservas para um pernoite. "Isso é pressão para que a gente não fique lá por perto exigindo os corpos".   Na manifestação, Moysés portava em mãos um manifesto elaborado por parentes das vítimas em São Paulo, no sábado. O texto diz que os familiares estão indignados e exige providências das autoridades para encaminhar os corpos ainda não identificados a outras unidades do IML, como as de Osasco e Jundiaí, e participação de legistas oferecidos por outros Estados no reconhecimento.   Para justificar a exigência, os familiares afirmam que a estrutura do IML Central é inadequada para atender um acidente de tamanha proporção, por insuficiência de espaço físico e carência de profissionais especializados, como técnicos de raio X e médicos legistas.   Ao final do ato, todos deram-se as mãos e rezaram um Pai Nosso. Depois, ainda saíram portando as faixas pelas dependências do aeroporto, sob aplausos de quem estava na área de alimentação e no saguão de desembarque.

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