Tiago Queiroz/AE
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Parentes chegam ao Recife criticam governo e forças armadas

'Estou me sentindo constrangido. Não temos informações', afirmou Nelson Marinho, um dos familiares

Monica Bernardes, de O Estado de S. Paulo,

12 de junho de 2009 | 18h54

Em Recife desde a madrugada desta sexta-feira, 12, dois dos parentes das vítimas do acidente com o avião da Air France, criticaram duramente o que classificaram como "falta de informações e tratamento inadequado" por parte das Polícias Federal e Civil (de Pernambuco) e das forças armadas. Irritados por não terem sido impedidos de fazer a visualização dos corpos que estão sendo analisados no Instituto de Medicina Legal de Pernambuco, o irmão de uma passageira, a jornalista, Adriana Vans Luys, Marteen Vans Luys, e o pai de outro, Nelson Maria Farinho (cujo filho era o engenheiro mecânico Nelson Marinho), criticaram a falta de apoio do governo brasileiro e a postura das forças armadas que anunciaram a possibilidade de prazo para o fim das buscas aos corpos.

 

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"Estou me sentindo constrangido. Não temos informações. Eu tenho o direito de ver os corpos. Quero ver se meu filho esta lá. Este é um direito constitucional. Além disso, o comando da Aeronáutica já está falando em data para encerrar as buscas. O comando da Aeronáutica não está sentindo na pele o que eu estou sentindo. Estou indignado com esse limite que a princípio foi proposto", afirmou Nelson Marinho.

 

Já Marteen disse que gostaria de ser recebido "pela autoridade máxima que coordena o trabalho de identificação. "Tive notícias de que poderiam ser reconhecidos através de pertences pessoais ou até mesmo por identificação visual. Mas não nos deixam ter acesso aos corpos", reclamou.

 

A dupla chegou ao Recife sem que houvesse feito nenhuma notificação oficial à PF ou a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e por isso foi barrada na entrada do IML, localizado no bairro de Santo Amaro. Depois de quase meia hora de espera, os familiares foram recebidos por uma comissão formada pelo Secretário Executivo de Defesa Social, Cláudio Lima; pelo superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Paulo de Tarso e pelo diretor de Polícia Cientifica, Francisco Sarmento.

 

As autoridades policiais pediram desculpas pelo fato da dupla não ter sido recebida de imediato, mas enfatizou a necessidade de que haja comunicação prévia para que possa ser montada uma logística para o atendimento às famílias. "Se houvesse sido feita a comunicação, providenciaríamos toda a estrutura necessária para o recebimento dos familiares. O importante é que já conversamos com eles e explicamos o que aconteceu", afirmou a Assessoria de Imprensa da SDS.

 

Apesar da insistência em ver os corpos que estão sendo periciados, os parentes não tiveram acesso ao IML. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, a negativa deveu-se a vários fatores, entre os quais: a situação dos corpos, que segundo a PF estariam irreconhecíveis mesmo para parentes próximos em função do avançado estado de decomposição e da ação de animais marinhos; a ausência de efeito legal de um eventual reconhecimento visual, na situação em que os cadáveres se encontram; a dificuldade de montar uma logística caso todos as 228 famílias quisessem fazer a visualização dos corpos.

 

Ainda segundo a PF, a entrega ou apresentação de objetos pessoais encontrados com as vítimas também não poderá ser feita. "Estes pertences estão catalogados e depositados em recipientes lacrados. Estas peças poderão fazer parte das investigações, portanto são provas materiais, que não podem ser manuseadas, sob o risco de serem contaminadas", afirmou a assessoria.

 

Os policiais federais fizeram, através da assessoria de imprensa, um apelo aos demais familiares das vítimas. "Neste momento, a presença de familiares não irá auxiliar no processo de identificação. Por isso, as famílias não precisam vir ao Recife, pelo menos não agora".

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