Parentes de sobreviventes de chacina no PR temem execução

Dois feridos no crime em Guaíra continuam internados em hospitais da região, que recebe escolta policial

Miguel Portela, especial para O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 20h37

Dos oito feridos durante a chacina em Guaíra, extremo oeste do Paraná, dois continuam internados em hospitais de Cascavel e Toledo. Apesar de a Secretaria de Segurança Pública do Paraná determinar policiamento nos locais por temer que eles sejam executados, nas duas vezes que a reportagem visitou as unidades não encontrou policiais protegendo as vítimas.   Veja também: Polícia reconstitui chacina que deixou 15 mortos em Guaíra Ouça o relato do repórter Bruno Paes Manso   Decretada prisão de três por chacina  Todas as notícias sobre a chacina     Em Toledo, um adolescente de 17 anos, com ferimentos à bala, está internado e a família, que prefere não falar sobre o assunto com a imprensa, teme retaliação por parte dos criminosos. Em Cascavel, a reportagem localizou familiares de Lourival de Souza Sampaio, que está internado em estado grave no Hospital Universitário. Por questões de segurança, eles não serão identificados.   Um homem relatou que é de São Paulo, assim como toda a família. Ele conta que o irmão estava trabalhando em Guaíra, onde se envolveu com o tráfico de drogas e terminou preso. "Ele era mula e foi pego pela polícia. Agora cumpria pena em regime semi-aberto, dizia para nós que trabalhava na construção civil, mas não sabemos o que ele realmente fazia na chácara onde ocorreram as mortes", comentou.   Ele disse que ficou sabendo da chacina pela televisão e como sabia que o irmão já havia se envolvido com tráfico, decidiu ligar para a polícia, quando soube que ele estava entre os feridos. "Os policiais me disseram que ele estava muito mal no hospital e vim para cá. Ele está inconsciente, então ainda não sei o que realmente aconteceu naquele sítio, não sei se é mesmo isso que a polícia está falando, uma guerra entre quadrilhas", frisou.   Sobre a segurança do irmão, o homem disse que na manhã desta quarta-feira, 24, tinha policiamento no hospital. "Mas agora à tarde não apareceu ninguém", completou. Ele disse que não tem receio que o irmão seja executado pelos bandidos. "Será que esse louco que estão apontando como o matador existe mesmo? Será que é ele? Não tenho certeza se foi mesmo uma briga entre traficantes. Mas também não posso afirmar que foi outra coisa", disse.   O capitão Antonio Zanata Neto, do Comando de Policiamento Interior, informou que em nenhum momento foi deixado de dar proteção policial aos sobreviventes. Segundo ele, em alguns instantes, policiais à paisana estavam no local, mas a partir desta quinta-feira voltará a ser utilizado policiamento fardado.

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