Parentes de vítimas de acidente com voo 447 pedem novas investigações

Presidente da associação pede garantias e apoio do Ministério Público para buscas e indenizações

Agência Brasil,

05 Novembro 2010 | 17h24

BRASÍLIA - Um ano e meio depois do acidente com o voo 447 da Air France, que saiu do Rio rumo a Paris, o presidente da Associação das Famílias das Vítimas, Nelson Marinho, luta para obter garantias de que as investigações serão acompanhadas de perto pelo Ministério Público do Brasil. A primeira vitória foi obtida e, no próximo dia 16, Marinho se reúne com o procurador da República em Pernambuco, Anderson dos Santos, e o especialista em comunicação aérea Sérgio Martins.

 

"Nosso interesse era envolver as autoridades brasileiras. Nós conseguimos e queremos agora o retorno dos nossos esforços lá fora", afirmou Marinho à Agência Brasil. Ele tenta agora fazer com que a Justiça dos Estados Unidos também se envolva no processo, considerando que várias peças da aeronave acidentada foram fabricadas por indústrias norte-americanas.

 

Marinho e integrantes de associações de outros países defendem ainda o direito à indenização para os parentes das vítimas do acidente. Segundo ele, há, sobretudo, o objetivo de garantir voos mais seguros aos passageiros do transporte aéreo. Paralelamente, Marinho acompanha as discussões em torno das investigações na França.

 

No dia 19, autoridades do governo francês e da Air France fazem uma reunião privada com integrantes do Ministério Público brasileiro, do Alto Comando da Aeronáutica e da Polícia Federal, na França. A Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 foi excluída desse encontro.

 

Porém, Marinho reiterou que haverá uma campanha intensa para a retomada das buscas dos destroços do Airbus A330, que desapareceu no Oceano Atlântico no dia 31 de maio do ano passado, quando morreram 228 pessoas.

 

Caixas-pretas. Três buscas foram feitas depois do acidente, mas não foram encontradas peças nem mesmo as caixas-pretas da aeronave. Entre os 50 corpos resgatados, 20 eram de brasileiros. No voo, havia brasileiros, franceses, alemães, italianos e passageiros de outras nacionalidades.

 

Segundo Marinho, depois do acidente com o voo 447, houve mais seis quedas de Airbus. Para ele, quando houve o acidente, em setembro de 2009, deveriam ter sido requisitadas as caixas-pretas do avião. Uma das suspeitas da causa do acidente foi o funcionamento inadequado dos pitots.

 

Em setembro, a Justiça francesa determinou o pagamento de indenização à família de uma aeromoça do voo 447. Para Marinho, a decisão abre jurisprudência para que parentes dos demais passageiros consigam o benefício. Associações do Brasil, da França, da Alemanha e dos Estados Unidos trabalham pela causa. A presidenta de uma dessas entidades, criada em Paris, está abrigando nove órfãos de passageiros franceses que desapareceram na queda do Airbus, informou Marinho.

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