Parentes de vítimas do vôo 1907 sofrem derrota nos EUA

Os familiares moviam ações nos EUA contra os fabricantes de peças do avião e contra a Legacy

Liege Albuquerque, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2008 | 11h09

Parentes de vítimas do acidente com o vôo 1907 da Gol, ocorrido em 29 de setembro de 2006, sofreram a primeira derrota na Corte norte-americana. Em sentença proferida dia 2, o juiz Brian M. Cogan considerou que a Justiça dos Estados Unidos é fórum não conveniente para as ações do caso Gol. Os familiares moviam ações nos EUA contra os fabricantes de peças do avião e contra a Legacy, proprietária do jato que se chocou com o Boeing 737 da Gol. Ainda há recurso para a decisão.   Veja também: Mortos do vôo da Gol foram pilhados logo após a tragédia Falha humana causou tragédia da Gol Após um ano, familiares voam sobre destroços da Gol Parentes de vítimas de acidentes aéreos querem lei para indenizações Especial sobre a crise aérea   O relatório final sobre as causas do acidente entre o Boeing 737-800 da Gol e o jato Legacy, ocorrido no dia 27 de setembro de 2006 apontou uma série de falhas humanas como fatores determinantes para a tragédia que deixou 154 mortos no norte de Mato Grosso. Embora a investigação aeronáutica não fale em culpados, a conclusão lógica é de que o somatório de erros cometidos por controladores de Brasília (Cindacta-1) e pelos pilotos americanos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, levou à colisão das aeronaves. O documento, que já concluiu a etapa de investigações e está na fase de conclusões finais, descarta falhas ou panes nos equipamentos de comunicação, no transponder (conjunto de antenas que estabelece contato com os radares em terra) e no sistema anticolisão (TCAS, na sigla em inglês) do jato. Não foram encontradas evidências de que a cobertura de radar na área do acidente tenha influenciado na tragédia - afastando a suspeita de um "buraco negro" na região. Em linguagem técnica, evitando juízos de valor, o relatório detalha os "fatores contribuintes" para a colisão. Relata que os americanos deixaram de tomar as providências devidas em caso de falha de comunicação, como digitar no transponder o código 7600. A grande dúvida é o motivo do desligamento do aparelho. Diante da falta de dados técnicos, é provável que a comissão decida só indicar hipóteses, como erro de digitação ou o acionamento indevido de algum botão. Paladino e Lepore também não questionaram o controlador do Cindacta-1 sobre a divergência entre o plano de vôo solicitado - 37 mil pés de São José dos Campos (SP) a Brasília e, em seguida, 36 mil pés até Manaus - e o supostamente autorizado - 37 mil pés durante todo o trajeto. Com isso, o Legacy passou a voar na contramão da aerovia UZ6, entrando em rota de colisão com o Boeing. É a partir desse instante que a conduta dos controladores de vôo passa a ser preponderante para a tragédia. Ao perderem o contato com o Legacy, eles deveriam ter programado em seus consoles cinco freqüências alternativas de rádio, o que não foi feito, conforme perícia realizada nos equipamentos. Essa constatação e as recomendações de segurança emitidas nos últimos meses pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sugerem uma falha na formação dos controladores. Tudo leva a crer que eles não sabiam como agir nesses casos. (Colaborou Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo)

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