Parentes exigem informações sobre o acidente da Gol

Reunidos em uma missa na Catedral em Brasília, os parentes das vítimas do vôo 1907 da Gol que caiu após colidir com o jato Legacy, causando a morte de 154 pessoas no dia 29 setembro, no Mato Grosso, pediram neste domingo para nomear um representante que pudesse lhes representar nas investigações do maior acidente aéreo da história brasileira. "A indenização é sempre uma conseqüência, mas nosso maior objetivo é que o acidente seja esclarecido e os culpados responsabilizados", disse Jorge Cavalcante, tio de Carlos Cruz, que morreu com 26 anos.Segundo ele, os familiares são os únicos interessados no caso que não estão participando das investigações. Eles chegaram a constituir formalmente uma associação, mas ainda não foram atendidos em seus pleitos.Presidente da associação, Cavalcante reclamou de falta de informações por parte das instituições envolvidas nas investigações. "Ainda não sabemos o que aconteceu e como aconteceu", disse Cavalcante. "Sabemos que há muitos responsáveis, mas o principal responsável é o piloto que entrou na contra-mão e provocou o choque", completou, referindo-se ao americano Joe Lepore, que pilotava o Legacy que se chocou com o Boeing da Gol. CampinasCerca de 30 pessoas entre amigos e parentes de seis vítimas da região de Campinas que estavam no vôo Gol 1907, participaram neste domingo, na Catedral Metropolitana de Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo, do protesto nacional composto de missa seguida de pedidos de transparência pelo governo federal nas investigações e atos sobre o acidente. Além de Campinas, aconteceram missas em Porto Alegre e Brasília. O movimento continua nesta segunda-feira, 29 em outras cinco cidades brasileiras.Um novo protesto pacífico, também organizado pela Associação de Parentes das Vítimas do Vôo 1907, acontece provavelmente no final de fevereiro, com o plantio de Ipês nos oito municípios de origem dos 154 mortos do acidente, segundo a vice-presidente da Associação, Angelita Rosicler de Marchi. As atividades serão regulares, de acordo Angelita, para o assunto não cair no esquecimento.Em Campinas, ao final da missa, no altar, Angelita leu uma pequena carta, um lamento das famílias pelas mortes. A representante de Campinas da Associação, Luciana Siqueira, pediu justiça aos mortos e familiares. Depois os parentes e amigos se reuniram em frente à Catedral para estender três faixas de protesto com os seguintes dizeres: "Autoridades: queremos respeito à nossa causa", "Queremos justiça pelas 154 vítimas que foram privadas do convívio de seus lares" e "Quem tira a vida de 154 pessoas merece tapete vermelho?", referindo-se aos dois pilotos do jato Legacy recebidos como heróis nos Estados Unidos. "Também estamos cansados, somos sempre os últimos a saber das coisas", afirmou a vice-presidente. Cerca de 10 pessoas acompanharam o protesto.Ao final do protesto nas escadarias da Catedral, a Associação entregou uma carta denominada "Nota 025" onde relaciona oito pedidos de esclarecimentos pelas autoridades brasileiras. "Queremos a verdade e que os culpados sejam punidos. Para as famílias os culpados são os pilotos do Legacy", afirmou o empresário Mauro Siqueira, parente de Plínio Siqueira, executivo da Bombardier em Campinas, que estava no vôo da empresa aérea Gol.

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