AP
AP

Parentes formam comissão para acompanhar buscas por avião

Grupo pretende viajar até Recife para ficar mais de Fernando de Noronha, local do comando das buscas

Agência Brasil,

03 de junho de 2009 | 17h05

Os parentes dos passageiros do voo AF 447, da Air France, que estão hospedados no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, formaram uma comissão para acompanhar as buscas e as investigações sobre o desaparecimento do Airbus A330, enquanto sobrevoava o Oceano Atlântico, na madrugada de segunda-feira, 1.

 

Segundo Nelson Faria Marinho, de 66 anos, pai de um dos passageiros do avião desaparecido, o grupo pretende viajar até Recife para ficar mais perto do Arquipélago de Fernando de Noronha, de onde a Marinha e a Aeronáutica comandam as buscas. "Essa vontade já foi comunicada à Air France e provavelmente a Força Aérea Brasileira (FAB) vai disponibilizar um avião para nos levar até lá", afirmou Marinho, cujo filho, também chamado Nelson, viajava para Angola e faria conexão em Paris.

  

Veja também:

lista Todas as notícias sobre o Voo 447

lista Lista de brasileiros que estavam no voo

lista Lista de todos os passageiros que estavam no voo

blog Blog: histórias de quem quase embarcou

especial Conheça o Airbus A330 desaparecido no trajeto Rio-Paris  

blog Acompanhe a cobertura pelo blog Tempo Real

som Podcast: Especialista não tem dúvidas de que avião da Air France caiu no mar

especial Cronologia dos piores acidentes aéreos dos últimos dez anos

mais imagens Veja Galeria de fotos

mais imagens Galeria: famílias de vítimas

mais imagens Galeria: buscas

especial Anac monta sala no Galeão para familiares; veja telefones de contato

video Entenda a operação que localizou destroços

video TV Estadão: Especialista fala sobre o acidente

linkLula faz homenagem a vítimas do voo 447

linkPF vai colher DNA para identificar vítimas, diz Jobim

linkApenas 4 minutos da 1ª pane até a queda

linkQueda livre e sistema em pane são únicas certezas do Voo 447

linkSubmarino que achou Titanic buscará caixa-preta

linkProfundidade na área dos destroços chega a 3 mil metros

linkJobim crê que ainda é possível achar caixa-preta, diz Lula

 

 

  

O objetivo é levantar todos os detalhes sobre o resgate. "Estas pessoas representarão neste momento os interesses dos familiares destas pessoas neste infeliz acidente", disse o gerente de hotel Maarten van Sluys, irmão da passageira Adriana van Sluys, que viajava a trabalho pela Petrobras. Alguns avaliavam que o sistema montado pela Marinha e pela Aeronáutica, que disponibilizaram oficiais em contato direto com a base de operações no Recife, seria suficiente.

 

"Eu não vejo esta necessidade de ir a Recife. Não vai adiantar nada, pois não temos acesso aos locais de resgate. A previsão da Marinha é que o navio demore três dias para chegar até Recife com os destroços", afirmou o advogado Marco Túlio Moreno Marques, filho do ex-juiz federal José Gregório, de 72 anos, e de Maria Thereza Moreno Marques, de 69 anos. O casal, que ia frequentemente a Paris, viajou para comemorar o aniversário do marido.

 

A pedagoga Mariana Carvalho Alarcão de Paes Loureiro, de 27 anos, disse que parte do grupo acreditava que "a ansiedade dos familiares poderia prejudicar as operações". Ela acompanhava ontem a família da turismóloga Adriana Moreira Marques, de 27 anos, que viajaria pela primeira vez a Europa.

 

Serviços

 

Marinho reclamou do tratamento que alguns veículos de comunicação estão dando à situação, ao afirmar que não haveria mais chances de encontrar sobreviventes. Ele disse que muitos dos parentes dos passageiros ainda têm esperanças. "Meu filho, por exemplo, tem curso de sobrevivência debaixo d’água. Se ele teve uma chancezinha, ele está vivo e ainda ajudando outras pessoas. A gente vai continuar acreditando, enquanto não vir a realidade. Até agora a gente não viu", acrescentou.

 

Sobre a assistência que a Air France está oferecendo às famílias dos passageiros, Marinho disse que está sendo satisfatória. Ele contou que sua mulher chegou a passar mal, mas foi prontamente atendida pela equipe de médicos de plantão. 

 

Mais cedo, Marteen Van Sluys, irmão da jornalista Adriana Francisco Van Slyus, já havia elogiado os serviços prestados. "A equipe está sendo muito atenciosa e o atendimento, principalmente com psicólogos, é individualizado. Na madrugada, quem não conseguiu dormir, ficou na sala disponibilizada pela companhia aérea, e foi confortado pelos psicólogos."

 

Local das buscas

 

De acordo com o ministro Jobim, o primeiro contato visual de destroços foi feito por um avião da Força Aérea Brasileira dotado de sensores (R-99), que detectou restos do avião por volta da 1 hora de terça-feira. Às 5h37, outra aeronave da FAB, um Hércules C-130, visualizou manchas de óleo. Às 6h49, foi identificada uma poltrona de avião. Por último, às 12h30, o C-130 detectou um rastro de vestígios. "Cinco quilômetros de materiais não é de se supor que a maré tenha reunido. A existência da poltrona, do óleo, a identificação do R-99 e agora, complementando, os cinco quilômetros (de destroços), nos permite ter uma posição de que isso é do Airbus da Air France", lamentou.

 

De acordo com Jobim, não foram visualizados corpos. Jobim ressaltou que as buscas prosseguem numa área de 9.785 km², mas evitou falar em eventuais sobreviventes. "Não trabalho com hipóteses, mas com resultados empíricos", afirmou. Entre os vestígios observados, havia um bote salva-vidas aberto. "Por isso não podemos descartar essa possibilidade (de encontrar sobreviventes). Existiam quatro botes no voo e, se só um foi avistado, outros podem estar perdidos no mar", disse um tenente ao Estado, que pediu para não ser identificado. Há ainda a possibilidade de que os botes tenham se desprendido dos bancos na queda.

 

No entanto, o procedimento padrão em caso de evacuação, caso existisse um tripulante da Air France em um dos botes, seria amarrar as embarcações umas as outras. Em cada um deles cabem 35 pessoas. A possibilidade é considerada remotíssima por especialistas. O material recolhido será levado a uma distância de até 250 milhas próximas a Fernando de Noronha. Desse ponto, dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido por causa da autonomia dos helicópteros, que podem fazer voos de ida e volta que somam 500 milhas.

 

(Com Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo)

 

Atualizado às 18h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.