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Parisienses prestam homenagens em catedral

Ao longo de todo o dia, Notre-Dame reuniu católicos, ortodoxos, protestantes, judeus e muçulmanos

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Passadas 48 horas do acidente do voo 447 no Atlântico, a dor das famílias transformou-se em luto, ontem, em Paris. O ato ecumênico na mítica catedral de Notre-Dame foi a primeira grande homenagem coletiva às vítimas de 32 países, unindo católicos, ortodoxos, protestantes, judeus e muçulmanos. Marcada para as 16 horas, a homenagem começou muito antes do previsto. Ao longo de todo o dia, fiéis passaram pelas naves da catedral, deixando mensagens de solidariedade, enquanto uma multidão de curiosos se reunia no exterior. Autoridades como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a primeira-dama, Carla Bruni, além do primeiro-ministro, François Fillon, e do ex-presidente Jacques Chirac, compareceram.Às 15h35min, um comboio de ônibus, cercado de um forte esquema de segurança, trouxe os parentes das vítimas, até então concentrados em hotéis do Aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaulle. Nesse momento, um dos sinos do templo soava, em tom grave, expressando "uma marca de sofrimento". "Esse sino significa a emoção pelo luto doloroso destas famílias, a fé e o respeito entre os povos", explicou o porta-voz da Arquidiocese de Paris, Bernard Podvin, elucidando também o intervalo de 20 segundos entre os badalos, que enchia a praça silenciosa. "A alta velocidade talvez seja boa para o mundo moderno. Mas não é para o sofrimento do homem."No interior da Notre-Dame, o culto celebrado pelo arcebispo de Paris, André XXIII, foi marcado pela participação dos familiares, que depositaram 228 velas no altar em memória dos desaparecidos. Ao longo da cerimônia, discursos foram evitados, respeitando a fé dos fiéis das cinco religiões representadas. Em lugar dos sermões, passagens do Velho e do Novo Testamento e trechos do Corão dividiram espaço com cânticos, citações literárias e leitura de poemas. Um deles, Pegadas na Areia, do brasileiro Ademar de Barros, foi interpretado - com voz embargada - pelo comissário de bordo Marcel Chapman, de 32 anos. "Foi muito difícil para mim, porque tudo na catedral se referia à memória de pessoas muito próximas", confidenciou o brasileiro. "A solidariedade entre todos foi enorme e impressionante." Fragilizada pelo desaparecimento do amigo Lucas Gagliano, de 24 anos, o único tripulante brasileiro do voo 447, a aeromoça Letícia Hermont ainda se recusava a acreditar no pior ao término da celebração. "Ainda torço por um milagre."

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