Parlamentares cobram de Lula solução para crise aérea

Relator da CPI do Apagão defende que Lula assuma o controle e decida as medidas

Eugênia Lopes, do Estadão,

19 Julho 2007 | 22h30

O recolhimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir do desastre do vôo 3054 foi criticado por parlamentares da base aliada e da oposição, que cobraram uma postura mais agressiva para tentar solucionar a crise que se arrasta há quase dez meses no setor aéreo brasileiro. O relator da CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o petista Marco Maia (RS), defendeu que Lula assuma o controle e decida ele próprio as medidas a serem adotadas para o setor. "Não tem mais espaço para tergiversar. Não existe mais justificativa para inoperância do governo", disse Marco Maia. "Existem problemas de comando, de centralização, de articulação política da crise. Todos os limites de paciência para suportar a falta de decisão política do governo já foram ultrapassados", completou o petista. "O presidente Lula não soube reagir a essa situação", afirmou o presidente em exercício da CPI, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O governo tem de designar alguém, algum ministro forte, do Palácio do Planalto, para pôr ordem nessa confusão", defendeu o peemedebista. A oposição também criticou a falta de pulso firme do presidente Lula para conduzir a crise no setor aéreo. Em nota, o presidente do PPS, Roberto Freire, reclamou de Lula, que não foi ao aeroporto de Congonhas, local do acidente com o Airbus da TAM. "A ausência do presidente da República no local do acidente é uma demonstração do descuido e da irresponsabilidade com que o setor aeroportuário vem sendo tratado pelo governo", afirmou Freire. O comunista lembrou que tanto o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), quanto o governador do Estado, José Serra (PSDB), foram ao aeroporto. "Onde estava o presidente?", perguntou. Para Freire, a ausência de Lula é um mau sinal: "Trata-se de um medroso, que está mais preocupado com vaias do que com a tragédia de centenas de famílias", observou. "O conjunto da obra, ou seja, o descaso com a estrutura aeroportuária do País torna evidente que o governo é, sem dúvida alguma, irresponsável", disse o presidente do PPS. A deputada Luciana Genro (Psol-RS) foi outra que reclamou do comportamento do presidente Lula em relação à crise do setor aéreo. "O que acho mais chocante é o presidente da República fazer uma cirurgia estética, de tersol, e não fazer um pronunciamento de solidariedade às famílias das vítimas do acidente", afirmou a deputada. "O presidente Lula tinha de pedir perdão por essa tragédia anunciada. Ele deveria ter ido a São Paulo e pôr o governo à disposição das pessoas que estão precisando de ajuda", completou. Na avaliação de Luciana Genro, há um "conluio" para que as investigações não avancem e a culpa acabe recaindo unicamente sobre o piloto da TAM e em problemas mecânicos do Airbus. "Quem vai investigar as causas do acidente é quem fez a obra, que foi a Infraero, quem liberou a pista de Congonhas, que foi a Anac com o aval do Comando da Aeronáutica. Ou seja: eles mesmos vão se investigar", argumentou a deputada.

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