Parlamentares cogitam adiar votação e substituir relator

Líderes governistas e de oposição reagem às denúncias do 'Estado' e cobram explicações do senador Gim Argello

Denise Madueño, Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Do PT ao DEM, passando pelo PSDB, líderes da oposição e da base governista defenderam ontem a suspensão da tramitação e votação do Orçamento de 2011 até que se decida o que fazer com o relator, o senador Gim Argello (PTB-DF), suspeito de usar suas emendas para favorecer institutos e empresas fantasmas.

Titular da Comissão Mista do Orçamento, o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) defendeu o adiamento da votação da proposta para o ano que vem e a indicação de um novo relator no lugar de Argello.

Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) voltou a pedir a extinção da Comissão Mista de Orçamento, ao lembrar que desde a CPI dos Anões, em 1993, o colegiado está sob permanente suspeita. "Termina ano, começa outro e os mesmos problemas se repetem. Há uma reincidência de desvios denunciados pela comissão."

Explicações. O plenário do Senado chegou a criar a expectativa de que Gim Argello fizesse um discurso justificando a remessa de emendas para institutos fantasmas. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse ter pedido que ele desse explicações, mas Argello não apareceu no plenário.

Para o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), o relator da comissão e os responsáveis por sua indicação têm de dar satisfação à sociedade, o quanto antes. "Lamento termos de volta uma novela que ninguém quer ver de novo", afirmou, referindo-se aos desvios identificados pela CPI dos Anões.

O deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR) defendeu a investigação "a fundo" das denúncias. "Não dá para aliviar em nada", ressaltou, opondo-se à ideia de adiar a votação do Orçamento para o ano que vem. "Nós devemos votar, o que vai aumentar é a vigilância em cima do relator porque ele está sob suspeita."

Já o presidente da comissão, deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), e o líder do PSDB, João Almeida (BA), afirmam que ainda estão avaliando a denúncia. Por sua assessoria, Moka disse que, enquanto aguarda os desdobramentos, tem conversado com membros do colegiado e, até que cheguem a um entendimento, serão mantidas as decisões da comissão.

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