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Parque Dona Lindu: Da rejeição à aprovação

Marcado pela polêmica e pela discórdia desde o início da sua construção, há mais três anos, o Parque Dona Lindu, situado na orla da praia de Boa Viagem, na zona sul do Recife, passou a xodó da população depois de inaugurado, em abril, e se consolidou como palco da programação cultural da cidade.

Angela Lacerda - correspondente em Recife, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2011 | 16h06

 

Transformado em um dos sete polos de animação do São João - comemorado durante todo o mês com muita sanfona, zabumba, quadrilhas, brincadeiras e shows - o Dona Lindu abrigou, no dia seis, a abertura dos festejos juninos, com apresentações do Quinteto Violado e Terezinha do Acordeon - homenageados deste ano. No dia 19, Dominguinhos empolgou um público de 10 mil pessoas que disputou espaço no pátio e arredores do parque. Até o dia 26, outros ícones da cultura e tradição nordestina como Arlindo dos Oito Baixos, Anastácia, e o Forró Vates e Violas vão fazer muita gente dançar forró nas noites do parque.

 

Todo este sucesso parecia impossível até pouco antes da sua inauguração, diante da forte rejeição do recifense.  Os moradores de Boa Viagem - com o apoio da grande maioria da população da cidade - queriam no bairro um espaço verde, de preservação e lazer.

 

 

O ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT), impôs um projeto caro - R$ 37 milhões - assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (que cobrou R$ 2 milhões), com pouco verde e muito concreto, e o batizou com o nome de Dona Lindu, para fazer média com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dona Lindu - Eurídice Ferreira de Melo - era a mãe de Lula.

 

 

Ingredientes perfeitos para o irreverente bloco carnavalesco Quanta Ladeira, encabeçado pelos compositores pernambucanos Lenine e Lula Queiroga, usar a composição de Alceu Valença, "Belle de Jour", para uma paródia de letra impublicável que divertiu milhares de foliões nos últimos carnavais.

 

 

Para reverter o clima contrário ao projeto - alvo de recursos judiciais no início da obra - o próprio Lenine foi escolhido pela prefeitura para realizar o show de inauguração, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Recife. Com pompa, sem brincadeiras e prestigiado por cerca de cinco mil pessoas. A partir daí, a população se apossou do parque.

 

 

O Dona Lindu é caracterizado por duas construções cilíndricas. Em uma está o teatro Luiz Mendonça, dotado de modernos equipamentos de cenografia e áudio e capacidade para 587 pessoas sentadas. O teatro tem tido programação diversificada, a exemplo do Festival Palco Giratório, com produções nacionais e locais de teatro e dança. Na outra, a Galeria Janete Costa, onde está exposta, até o dia 30, a exposição "Amor e Solidariedade" que reúne 160 peças de Abelardo da Hora - entre esculturas, desenhos, cerâmicas e gravuras - numa retrospectiva da primeira mostra do artista e que foi um marco da história da arte moderna no Brasil.

 

 

Para atenuar as reclamações, o Dona Lindu, que tem área total de 27 mil metros quadrados, sofreu alteração e ampliou para 60% a sua área verde. Esta ainda não pode ser visualizada porque as 350 árvores e 242 arbustos que a prefeitura anuncia terem sido plantados ainda precisam de tempo para crescer.  O parque conta também com quadras poliesportivas e a única pista de skate em formato "bowl" (piscina) do Norte e Nordeste.

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