Parque no ABC terá trajeto para deficientes

Área de mata atlântica vai oferecer acessibilidade a cegos e pessoas com mobilidade reduzida

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

Uma enorme área de 484 mil m² de mata atlântica, o equivalente a 44 campos de futebol, em São Bernardo do Campo, será transformada em um parque sustentável e socialmente responsável. Localizada na Rodovia dos Imigrantes, no lado da pista sentido litoral, a área vai garantir a acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, como deficientes físicos, visuais e idosos, a uma das trilhas. Por meio de uma passarela sobre as árvores, o visitante terá vista privilegiada da mata nativa.O terreno, pertencente à Fundação Kunito Miyasaka, tem restrições a algumas formas de construção, por ser tombado. "Essa área era constantemente invadida por loteamentos clandestinos. Como não podemos vender nem construir, a ideia de desenvolver um parque sustentável foi ganhando força", explica o presidente da fundação, Antônio da Silva Rosa Neto. A proposta, surgida há dois anos, era oferecer atividades de ecoturismo em trilhas, com o diferencial de atender a deficientes.A Trilha da Sede, com extensão de apenas 150 metros, será totalmente adaptada para garantir a acessibilidade. Deficientes visuais terão corda guia e placas em braile com informações sobre as espécies da flora. Para deficientes físicos, haverá curvas de nível para facilitar o acesso - com placas informativas na altura adequada. A Trilha da Divisa, com 1,4 km, terá nível médio de dificuldade, com descidas e subidas.Para que o visitante só tocasse o solo ao chegar às trilhas, surgiu outro desafio. "Precisávamos vencer o espaço que separa a Rodovia dos Imigrantes das trilhas, causando o menor impacto à mata atlântica. A solução encontrada foi construir uma ponte, sustentada por poucos pilares que causam reduzida influência no ecossistema. Pela ponte suspensa de 400 metros, que fica entre as copas das árvores, é possível visualizar a vegetação intacta", explica o arquiteto Newton Massafumi Yamato, que desenvolveu o projeto do parque em parceria com Tânia Parma. Em alguns trechos do piso da passarela serão colocadas placas de vidro, o que permitirá visualizar a vegetação por cima. O percurso da passarela também poderá ser feito por um bondinho de vidro. Para descer até as trilhas, o visitante pode optar por escadas ou elevador. Essas alternativas foram pensadas para garantir o acesso de quem tem dificuldade de locomoção. A passarela também levará a três unidades de 100 m² cada que vão abrigar biblioteca, exposições interativas e um auditório para palestras e filmes. O período de execução das obras será em torno de 18 meses, com investimento total de R$ 12,87 milhões. A Fundação Kunito Miyasaka investiu R$ 380 mil para a viabilidade do projeto. Agora, a execução do parque depende da captação de recursos junto a empresas. O Parque Imigrantes não cobrará ingresso e a visitação terá de ser pré-agendada e monitorada.

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