Parquímetro não substitui flanelinha em Guarulhos

Sistema é defendido para acabar com emprego informal em SP

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2009 | 00h00

O som das moedas na pochete é um sinal de que Ed está por perto. "Flanelinha" há 12 anos numa rua do centro de Guarulhos, ele se tornou um porta-níqueis ambulante desde agosto do ano passado, quando a prefeitura instalou no município o sistema de parquímetro - máquinas que emitem o comprovante de estacionamento. Em São Paulo, a administração municipal pretende substituir os talões de Zona Azul por esses equipamentos em 2010 e acabar com o serviço dos flanelinhas. O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Alexandre de Moraes, queixa-se da ação dos ilegais. "As pessoas esquecem seu talão de Zona Azul e acabavam comprando as folhas com sobrepreço, por comodidade ou pressão do flanelinha." Quanto à possível depredação desses equipamentos apontado por alguns especialistas, o secretário disse que a empresa vencedora da licitação "vai fazer questão de manter uma segurança para evitar as depredações". "Consequentemente, essa segurança vai acabar afastando os flanelinhas." Por experiência própria, Ed já vai avisando: "Quem precisa trabalhar não desiste nunca." Para conviver com os parquímetros, ele teve de se adaptar e oferecer facilidades. Na época dos talões, superfaturava R$ 1 nas folhinhas. E era só ficar atento aos carros. Agora, para se aliar às máquinas, oferece aos motoristas a mordomia de não ter de caminhar até o parquímetro. Não tem moedas? Ele troca toda semana R$ 100 no banco para socorrer quem só tem cédula ou cartão. Para quem precisa ultrapassar o tempo limite de duas horas, Ed fica com as chaves, muda o carro de lugar e compra um novo comprovante. Tudo é acertado no fim do dia. Por uma hora de estacionamento, o sistema oficial da Prefeitura cobra R$ 1,50. O flanelinha vende por R$ 1 a mais. Duas horas saem um pouco mais caro: R$ 5. O lucro é o mesmo da época do talão, o que mudou, segundo Ed, é que agora ele tem "mais responsabilidade". Numa prancheta rabiscada, anota as placas e um código: TH (trocar horário), CH (deixou a chave), CF (colocar folha) e OBS (pode ser que o motorista volte depois de expirar o tempo). Pelo menos 30 pessoas por dia entregam as chaves dos carros nas mãos de Ed. "Quem fica comigo não leva multa", afirma o flanelinha, famoso na rua e querido até pelos fiscais da Zona Azul. Uma delas o chama até pelo apelido. Ed é conhecido como "Ré pra trás" - brincadeira que ele faz com os motoristas na hora de ajudá-los a estacionar o carro. A prefeitura reconhece que os parquímetros não acabaram com os "flanelinhas" e parece não se importar muito com isso. As vagas ao redor da sede municipal são todas controladas em parceria: "parquímetro-guardador de carro". "Quando dá algum problema no equipamento, eles nos avisam", disse Cláudio Attili, diretor de Trânsito de Guarulhos. Só na rua em que Ed trabalha a máquina falhou duas vezes ontem. Não estava emitindo o cartão depois do pagamento. Por uma hora, enquanto durou a pane, a fiscal anotou as placas e garantiu que não iria multar. COLABOROU MÔNICA CARDOSO

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