Parte de prédio cai e 4 morrem em Minas

No local, funcionava uma pensão; prefeitura alega falta de alvará

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Quatro pessoas morreram após o desabamento de parte de um prédio de três andares, onde funcionava uma pensão, em Caratinga, na região do Vale do Rio Doce mineiro, a 295 quilômetros de Belo Horizonte. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu no fim da noite de sábado durante um temporal que atingiu a cidade. O imóvel, localizado às margens do Rio Caratinga, na região central do município, já havia sido interditado em 2004, mas foi liberado no dia 2 deste mês por meio de um alvará de funcionamento concedido pela prefeitura.

A parte de trás da construção desabou por volta de 23 horas. Moradores vizinhos disseram que ouviram um forte estrondo. Dois casais que dormiam nos quartos 4 e 5 morreram soterrados. Os corpos foram localizados horas depois. A  Pensão Ribeiro funcionava no segundo e no terceiro andar do prédio. Quatro hóspedes que estavam no terceiro andar tiveram de ser resgatados pela janela. Outras duas pessoas sofreram diversos ferimentos e precisaram ser hospitalizadas.

Até a tarde de ontem, haviam sido identificadas três vítimas fatais: Geraldo Silvério do Nascimento, de 54 anos; Roselene Maria de Oliveira, de 26, e Eugênia Cornélia Valente, de 53. O corpo de um homem não havia sido identificado.

A construção que desabou tinha cerca de 70 anos e foi interditada em janeiro de 2004, após uma enchente. Um laudo indicou trincas, rachaduras nas lajes, vigas, paredes e escadas.

Três dias antes da tragédia, a prefeitura local emitiu alvará de localização e funcionamento para o proprietário do imóvel, identificado como Paulo Genelhu. A alegação do Executivo municipal é que somente a parte da frente do prédio - que não foi afetada - havia sido liberada. O proprietário afirmou que a estrutura que desabou era uma construção recente.

O coordenador da Defesa Civil, Paulo Calegar, disse que desconhecia a autorização de funcionamento do imóvel. A área do prédio foi isolada pelo órgão.

Cópias dos documentos de liberação do imóvel foram entregues para a Polícia Civil, que vai instaurar inquérito para apurar as causas do desabamento. O Estado não conseguiu contato ontem com representantes da prefeitura nem com o proprietário do prédio.

O desabamento pode ser considerado a primeira tragédia causada pelas chuvas em Minas no período 2009-2010, mas até a tarde de ontem a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) não havia registrado a ocorrência. No período entre setembro de 2008 e abril de 2009, 44 pessoas morreram em Minas em decorrência das chuvas e 274 municípios foram afetados.

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