''Partido do povo'' de Kassab é fundado por milionários

Anunciado como um partido que "nasce do povo", o PSD (Partido Social Democrático) é composto, basicamente, por fundadores milionários, cujos patrimônios somados ultrapassam R$ 109 milhões.

André Mascarenhas e estadão.com.br e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2011 | 00h00

A grande maioria dos parlamentares, governadores e vice-governadores que pretendem ingressar na sigla a ser criada pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, possui bens acima de R$ 1 milhão, de acordo com levantamento feito pelo Estado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Hoje, na Câmara dos Deputados, haverá uma cerimônia para a assinatura da ata de fundação do PSD. A expectativa é que 30 políticos assinem o documento.

O levantamento do Estado levou em consideração os 19 parlamentares e integrantes do Executivo que participaram do ato de fundação do PSD, no dia 21 de março, em São Paulo, ou que manifestaram publicamente interesse de entrar na legenda.

Do total, apenas cinco não têm patrimônio declarado que atinge o milhão. O restante do grupo é, na maioria, composto por empresários, proprietários rurais, advogados e médicos, que possuem bens divididos em aplicações, participações em empresas, veículos e imóveis.

Em média, cada fundador do PSD tem patrimônio declarado de R$ 5,7 milhões. Acima, portanto, da média de R$ 2,9 milhões por parlamentar empossado neste ano, segundo levantamento do site Congresso em Foco.

Povo. "É um partido que nasce do povo, com o povo e para o povo brasileiro", chegou a afirmar Kassab no lançamento do PSD. Ele não definiu em que campo político estará a sigla, mas destacou o "foco social" do projeto. Já a senadora Kátia Abreu (TO), que também ingressará na nova sigla, classificou o PSD como uma legenda da "classe média".

Liderando a lista dos fundadores com maior patrimônio está o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que pretende sair do DEM. Afif tem patrimônio declarado de R$ 49 milhões. Depois dele, um dos principais articuladores da nova legenda na Bahia, o deputado Paulo Magalhães, com patrimônio declarado de R$ 14 milhões, entre os quais 12 fazendas e uma uma aeronave de R$ 40 mil.

Sétimo parlamentar mais rico do Estado de São Paulo, com R$ 7,6 milhões declarados, o deputado Eleuses Paiva (DEM) foi um dos primeiros a anunciar a entrada no PSD. Tem uma fortuna em propriedades rurais: cinco fazendas, duas delas com valor declarado superior a R$ 1 milhão, além de sete veículos, a maioria de luxo, como uma Mercedes Benz avaliada em R$ 215 mil.

Para o cientista político Rubens Figueiredo, do Cepac (Centro de Pesquisas e Analises de Comunicação), o PSD é um partido de ideário tipicamente liberal, apesar de haver certa resistência por parte de alguns integrantes de usar esse rótulo na legenda.

De acordo com Figueiredo, isso ocorre porque o termo "liberal" é visto com desconfiança no País: "O Estado brasileiro tem uma presença muito forte na vida das pessoas. Temos uma cultura que festeja tudo aquilo que é socialista, com muitas leis".

Segundo o cientista político, o fenômeno explica a extinção de partidos que se declararam liberais, como o Partido Liberal (PL), que virou PR, e o Partido da Frente Liberal (PFL), que se tornou o DEM. "É uma vertente que, pelo menos no nome, foi se perdendo ao longo do tempo."

Sem milhão. Mas nem todos os fundadores do PSD possuem mais de R$ 1 milhão. Presidente da CNA e considerada uma das principais porta-vozes dos ruralistas, Kátia Abreu declarou, em 2006, quando disputou a eleição para o Senado, patrimônio de R$ 437 mil. Entre os imóveis declarados por ela, estão uma chácara de 10 alqueires, dois lotes de terra, no valor de R$ 27,7 mil, e uma área em Tocantins avaliada em R$187 mil. A senadora também declarou caminhonete Ford, de 1978, no valor de R$ 7 mil.

Mas quem tem o menor patrimônio entre os novos quadros do PSD é o deputado Marcelo Aguiar (SP), que declarou R$ 1 mil em quotas empresariais. De acordo com dados da ONG Transparência Brasil, o valor é inferior ao depositado por ele em sua própria campanha de 2010, que totalizou R$ 4,5 mil.

PARTIDO RICO

Patrimônio de alguns dos fundados do PSD, declarado ao TSE nas eleições de 2010

Guilherme Afif Domingos, vice-governador de SP

R$ 49,2 milhões

Paulo Magalhães, deputado (DEM-BA)

R$ 14 milhões

Eleuses Paiva, suplente de deputado (DEM-SP)

R$ 7,6 milhões

Gilberto Kassab, prefeito (DEM-SP)

R$ 5,1 milhões (2008)

Robinson Faria, vice-governador (PMN-RN)

R$ 3,7 milhões

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