Partido exige a ''mesma balança'' para aliados

PR quer que Dilma tenha mesma atitude e afaste petistas; cobrança é para que Hideraldo Caron seja demitido do ministério

Eduardo Bresciani e Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2011 | 00h00

Atingido em cheio pela crise nos Transportes, e vendo a cada dia uma leva de seus filiados ser demitida, o PR começou a reagir à limpa do setor imposta pela presidente Dilma Rousseff. O líder do partido na Câmara, Lincoln Portella (MG), cobrou ontem que a presidente Dilma Rousseff use "a mesma balança" para analisar a situação de integrantes do governo envolvidos em denúncias de corrupção.

O PR quer, por exemplo, que integrantes de outros partidos - como Hideraldo Caron, do PT -, envolvidos também nas denúncias, sejam demitidos.

"Só queremos que haja a mesma balança para todos. Pairou suspeita, seja quem for, deve ser retirado", afirmou o parlamentar do PR. "Se isso não acontecer eu vou deixar de crer na austeridade do processo", prosseguiu Lincoln, ao comentar a "faxina" que vem sendo promovida no Ministério dos Transportes pela presidente da República.

O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), discordou da posição adotada pelo aliado. Em seu entender, os indicados do PR não têm sido tratados de forma diferenciada. "A Dilma tem a mesma balança para todo mundo. Não há tratamento diferenciado", sustentou o petista.

Manobra adversária. Na oposição, o PSDB decidiu articular uma manobra para tentar convocar o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, para comparecer ao Congresso Nacional durante o recesso parlamentar.

Para tanto, o líder do partido na Câmara, Duarte Nogueira (SP), protocolou ontem o pedido de convocação. O vice-presidente da comissão representativa do Congresso, Eduardo Gomes (PSDB-TO), estuda a possibilidade de emitir hoje um despacho convocando o colegiado caso o presidente do Senado e da comissão, José Sarney (PMDB-AP), não tome uma posição no caso.

Sarney está no Maranhão e sua assessoria em Brasília não informou ontem o que ele pretende fazer a respeito do pedido dos tucanos.

"Fábrica". O líder do PSDB na Câmara afirma que o Ministério dos Transportes se transformou em uma "fábrica de irregularidades". Ele justifica a pressa em ouvir o ministro com as novas denúncias que dão conta da introdução de aditivos em contratos em valores superiores a R$ 700 milhões - alterações que foram assinadas pelas autoridades do ministério no ano passado.

"O objetivo do PSDB é fazer com que o Ministério dos Transportes se reorganize, que as irregularidades sejam sanadas e os fatos esclarecidos", pondera o parlamentar tucano.

"Confirmada a ausência do presidente Sarney, a comissão não pode ficar ausente. Solicitarei à assessoria qual o procedimento a ser adotado, mas o fato é que não podemos deixar o requerimento sem resposta", disse Eduardo Gomes.

A resolução que trata da comissão representativa diz que cabe ao presidente a convocação do colegiado, mas técnicos da Casa entendem que, na ausência deste, o vice-presidente pode, sem transgredir os regulamentos da casa, convocar os colegas a Brasília.

A comissão representativa é formada por oito senadores e 17 deputados titulares e tem igual número de suplentes. O governo tem ampla maioria entre seus membros e pode barrar no voto o requerimento tucano.

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