Partido exige do PMDB 'acordo casado' no comando do Congresso

Petistas não aceitam que o revezamento se restrinja à presidência da Câmara, como querem os peemedebistas

Denise Madueño, Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2010 | 00h00

O PT se rebelou e passou a defender um rodízio com o PMDB nas presidências da Câmara e do Senado pelos próximos quatro anos. Os petistas não aceitam que o revezamento se restrinja ao comando Câmara, como quer o PMDB. O PT quer fechar um acordo "casado" com os peemedebistas para as duas Casas.

"Não vamos aceitar que o revezamento valha apenas para Câmara. Não dá para o PMDB ficar com as duas Casas no último biênio", afirmou o senador eleito Lindberg Farias (PT-RJ). "Tem que se colocar alternância no bolo", defendeu o deputado José Genoino (PT-SP). Caso o PMDB não aceite o acordo, os petistas ameaçam se articular para se manter nos próximos quatro anos na presidência da Câmara. Afinal, o PT elegeu a maior bancada com 88 deputados. Em segundo lugar ficou o PMDB, com 79.

O PMDB, no entanto, não deverá ceder facilmente. A partir de 1.º de fevereiro, o partido terá 20 senadores, mantendo a maior bancada da Casa. Eles alegam que o regimento do Senado prevê que a presidência da Casa fica nas mãos do maior partido. "Essa é uma questão regimental", argumentou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL).

Pressão. A decisão dos petistas de "peitar" o PMDB ganhou força depois de uma reunião anteontem da bancada eleita de senadores. A posição do partido no Senado foi ratificada ontem durante reunião da bancada de deputados com o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "A bancada expressou para o Dutra que aceita o revezamento na Câmara na medida em que houver revezamento no Senado", contou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). "Não houve voz dissonante. A bancada mostrou que quer esse caminho, revezamento aqui e lá", disse o deputado José Guimarães (PT-CE).

Aliás, as articulações políticas empreendidas por Dutra com o PMDB vêm sendo duramente criticadas pelos petistas. Eles alegam que o presidente do PT não negociou em nenhum momento com o vice-presidente eleito e presidente do PMDB, Michel Temer (SP), uma solução casada para as presidências da Câmara e do Senado. Dutra teria trabalhado apenas pelo rodízio na Câmara. Cobrado pelos petistas, Dutra argumentou que a proposta de revezamento apenas na presidência da Câmara veio do PMDB, mas que até agora o acordo não foi homologado pelo PT. Dutra descartou dar mais espaço para o PMDB no primeiro escalão do governo em troca da presidência do Senado para o PT. "Não há essa possibilidade", sentenciou.

Até o fim deste mês, o PT deverá decidir quem será o candidato do partido à presidência da Câmara. São quatro os candidatos: o atual líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), os ex-presidentes João Paulo Cunha (SP) e Arlindo Chinaglia (SP), e o vice-presidente da Câmara, Marco Maia (RS). O candidato do PMDB é o líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

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