Partido expande no Rio hegemonia sobre setor

PC do B não governa nenhum município fluminense, mas detém cinco pastas municipais de Esporte e em outras três ocupa cargos de subsecretário

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2011 | 03h04

O comando do Ministério do Esporte por mais de oito anos deu corpo e status ao PC do B para pleitear pastas nas prefeituras fluminenses. Apesar de não governar nenhum município do Rio, a sigla está em oito secretarias de Esportes do Estado, com cinco secretários e três subsecretários.

Essa participação representa quase metade das 17 pastas com presença do partido no Rio.

O gabinete mais relevante do PC do B fluminense é a Secretaria de Esportes da capital, ocupada desde novembro de 2010 por Romário Galvão Maia, presidente do comitê municipal do partido. Apesar do espaço concedido à legenda, a Prefeitura do Rio não recebeu nenhum repasse do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, desde que os comunistas assumiram a pasta.

Em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, o subsecretário de Esportes é Manoel Jayme Ramos de Souza, presidente do comitê municipal do PC do B.

Convênio. Em agosto, ele recebeu o secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar Silva de Souza, para a assinatura de um convênio de R$ 759 mil entre a prefeitura e o governo federal para a reforma de um clube da cidade.

O município de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense, recebeu R$ 529 mil do Ministério do Esporte em 2009, quando o prefeito era Lindbergh Farias, atual senador pelo PT e ex-integrante do PC do B.

O ministério também destinou R$ 686 mil do Segundo Tempo à Prefeitura de Maricá, município da região metropolitana que teve dois secretários de Esportes ligados ao PC do B nos últimos dois anos.

Volta Redonda, no sul do Estado, recebeu repasses de R$ 3 milhões do programa Segundo Tempo em 2010. O PC do B não tem vínculos com a Secretaria de Esportes do município, mas guarda interesses políticos ambiciosos. Nas próximas eleições, a legenda pretende indicar o candidato a vice na campanha de reeleição do prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB). O partido também anunciou que vai pleitear uma pasta na administração municipal.

Silêncio. A direção do PC do B fluminense não se pronunciou sobre a participação do partido em secretarias municipais e sobre os convênios firmados com as prefeituras.

A crise política que envolve o ministro Orlando Silva fez com que integrantes do partido adotassem uma dose extra de discrição e evitassem comentar informações ligadas à pasta do Esporte.

A reportagem do Estado procurou a presidência do PC do B fluminense, mas a secretaria de comunicação do partido no Rio não respondeu às ligações.

A deputada federal Jandira Feghali, única representante fluminense da legenda na Câmara, não quis dar entrevistas.

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