Partido se prepara para cobrar fatura de petistas

Em troca de adesão a Dilma socialistas querem que PT libere apoio do PR e do PC do B a candidatos do PSB a governador

Leonêncio Nossa e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

A três dias de negar a legenda para que Ciro Gomes se candidate à Presidência, o PSB se prepara agora para cobrar a fatura. Em troca da adesão à candidatura da petista Dilma Rousseff, o partido reivindica o apoio do PT nos Estados. Os socialistas querem que o PT libere partidos da base aliada, como o PR e o PC do B, para apoiar candidatos do PSB a governos estaduais. A Executiva Nacional do PSB se reúne na terça-feira, para bater o martelo sobre a candidatura de Ciro. A lista de pleitos foi entregue ontem à coordenação da campanha de Dilma pela cúpula do PSB.

O presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, reuniu-se ontem pela manhã, por mais de duas horas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Saiu do encontro dizendo que Ciro terá de aceitar a decisão do partido sobre o destino de sua candidatura. "A decisão que ocorre na próxima terça-feira vai ser compactuada por Ciro e por todos os companheiros, pois isso foi compactuado com ele", afirmou Campos, ao deixar o Palácio da Alvorada.

Uma das reivindicações do PSB é em relação a São Paulo, onde o partido disputará o governo do Estado com o empresário Paulo Skaf. Os socialistas querem que o PT libere o PC do B e o PR para fazer aliança em torno de seu candidato. No Espírito Santo e no Rio Grande do Sul também querem que o PT autorize o PC do B para apoiar seus candidatos ao governo do Estado - o senador Renato Casagrande e o deputado Beto Albuquerque, respectivamente.

Palanque. Ao mesmo tempo, a cúpula do PSB defende a tese de que nesses três Estados Dilma tenha palanque duplo. Ou seja, que ela e Lula também façam campanha para os candidatos do PSB e não só para os petistas. O PSB quer ainda garantia de "neutralidade" na Paraíba. O ex-prefeito Ricardo Coutinho é candidato ao governo do Estado, mas o PT decidiu apoiar a reeleição do governador José Maranhão (PMDB).

O levantamento que está sendo feito pela direção do partido indica que, hoje, a candidatura de Ciro conta com o apoio de apenas cinco Estados: Ceará, Amazonas, Paraíba, Alagoas e Minas. Em alguns desses locais, o PSB tem ligação com o PSDB do tucano José Serra. É o caso de Minas, onde o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, é ligado ao ex-governador Aécio Neves (PSDB). A tendência é que o PSB mineiro apoie a reeleição do governador Antonio Anastasia.

Apesar da retirada iminente da pré-candidatura de Ciro, integrantes do PSB minimizaram ontem as declarações dadas pelo deputado. "Vamos fazer esse debate com tranquilidade. Essa opinião do Ciro não é a minha", disse Eduardo Campos. "Não vamos polemizar com o Ciro", afirmou o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES).

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que o deputado está equivocado e que a opinião majoritária no partido é que Dilma tem condições de ganhar as eleições. "Ela (Dilma) é a melhor candidata, fora o Ciro."

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