Partidos já articulam formação de blocos

Atuação em grupo agrega peso político e garante cargos estratégicos em [br]comissões

Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2010 | 00h00

Passadas as eleições, os partidos se movimentam na Câmara para ocupar os melhores e mais disputados espaços de decisão e mostrar força e capacidade de influência no processo político. O PR, o PP e o PTB poderão formar a maior bancada com a criação de um bloco parlamentar.

Os três partidos somarão 103 deputados, mais do que o PT, com 88 eleitos, e o PMDB, com 79 deputados. O PSB, o PCdoB e o PDT devem repetir o bloquinho, atingindo 77 deputados com a posse dos eleitos em fevereiro de 2011.

Politicamente, a formação dos blocos poderá diluir a hegemonia do PT e do PMDB na Câmara, mostrando a existência de outros atores no jogo.

O bloco parlamentar funciona como uma única bancada para efeito de distribuição de cargos na Mesa, de preferência na indicação de presidentes de comissões e de maior poder de pressão junto ao presidente da Casa na escolha de nomes para postos chave nas comissões especiais de reforma constitucional e de comissões parlamentares de inquérito. Nas sessões do plenário, o bloco também facilita na apresentação de requerimentos e de pedidos de verificação nominal das votações.

"Queremos buscar o equilíbrio de forças no Congresso", afirma o líder do PP na Câmara, deputado João Pizzolatti (SC). "Com o bloco, entramos no jogo com o PT e com o PMDB". O líder do PP e o líder do PR, Sandro Mabel (GO), fecharam o acordo e esperam o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), voltar de viagem ao exterior para acertarem a entrada do partido no bloco. O PP e o PR elegeram 41 deputados cada um, e o PTB, 21. "Nossos partidos sempre trabalham juntos. O bloco abre possibilidades maiores de atuação", disse Mabel.

O líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), considera que a formação de um bloco parlamentar com o PCdoB, o PDT e o PRB leva a uma forma de atuação mais qualitativa. Os quatro partidos formaram um bloco neste mandato que permitiu às legendas ocuparem comissões de maior evidência.

"Os partidos têm afinidade política e as eleições mostraram que estamos juntos em muitos Estados. O bloco amplia qualitativamente a participação na Câmara", afirmou Rollemberg. O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) defende a reedição do bloco. "A experiência foi um êxito. O bloco agrega valor político", disse. Para ilustrar, Dino lembrou que a atuação do chamado bloquinho foi fundamental para a negociação e aprovação de um reajuste maior para as aposentadorias neste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.