Pedro Sibahi/Estadão
Pedro Sibahi/Estadão

Partidos ocupam vazio do ensino político

Com a extinção da disciplina de Educação Moral e Cívica, o ensino de política não faz parte formal da grade curricular desde 1993. A pouca discussão política que se tem hoje ocorre nos grêmios, em geral sob influência de partidos. E é essa presença que divide a opinião de especialistas. Não por ela própria – uma vez que a ligação entre estudantes e legendas é histórica–, mas porque ocorre sem que o aluno tenha uma noção mais ampla de política.

Allan Nascimento, Fernando Arbex e Pedro Sibahi,

13 Dezembro 2013 | 13h14

O historiador e sociólogo Otávio Luiz Machado acha que os partidos não conseguem despertar nos jovens uma visão crítica de mundo. E que essa presença das siglas acaba levando a pauta dos partidos para as discussões dos estudantes, o que Machado considera prejudicial. “O movimento se tornou uma atividade profissional dos partidos, que querem ocupar espaços, ter na juventude um braço”, diz Machado, autor do livro Movimentos Estudantis, Formação Profissional e a Construção de um Projeto de País.

Para Humberto Dantas, doutor em ciência política, os professores, em geral, não são preparados para ensinar política da maneira formal, menos ainda de forma interdisciplinar. Mas seria dever do Estado transmitir esse conteúdo, ou com uma disciplina específica ou diluído na grade curricular. “A discussão é sobre o que desejamos dos jovens quando se formam. Esperamos habilidades profissionais, mas gostaria de ver cidadãos formados.”

Na visão dos militantes, esse debate deveria também ser iniciativa das escolas. Manuela Braga, ex-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, admite que “o currículo pode ser mais abrangente, falando sobre reforma política, juventude e direitos”.

O professor de sociologia da Unicamp Marcelo Rindeti entende que o ensino de política, quando existe, nem sempre é tratado com profundidade. Quanto à relação entre partidos de esquerda e movimento estudantil, ele salienta que vem desde a ditadura, incluindo de siglas importantes a pequenas agremiações que ali encontram sua principal militância.

A mestre em educação e assessora de Juventude da ONG Ação Educativa, Raquel Souza, discorda de que o envolvimento entre legendas e estudantes seja ruim. “Partidos representam as forças políticas do Estado democrático. Dizer que devem estar fora deste ou daquele lugar é um equívoco.”

A Secretaria de Educação de São Paulo afirmou que o tema política faz parte da disciplina sociologia, obrigatória no Ensino Médio. Além disso, a pasta incentiva a formação de grêmios. Existem mais de 3 mil só nas escolas estaduais.

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