Passada a eleição, CPI pode ser esvaziada

Passado o calor das eleições, governistas e tucanos pretendem esfriar o entusiasmo da CPI dos Sanguessugas para evitar que ex-ministros da Saúde dos governos FHC e Lula sejam investigados no escândalo das ambulâncias superfaturadas. Integrantes da CPI avaliam que o desinteresse dos dois partidos poderá levar a comissão a um final melancólico.A CPI se notabilizou ao continuar em funcionamento, mesmo em um momento de eleições gerais em todo o País. Nem o fato de o Congresso Nacional passar por um recesso branco foi motivo para esvaziá-la. A comissão denunciou 69 deputados e 3 senadores, que teriam participado de um esquema de cobrança de propinas para aprovar no orçamento emendas de compra de ambulâncias superfaturadas, que beneficiariam a Planam, do empresário Luiz Antônio Vedoin.A etapa mais nervosa das investigações, que implica desvendar de que forma ministros dos governos Lula e FHC participaram do esquema, foi agendada para o período pós-eleitoral. Foram convidados para depor na comissão os ex- ministros Saraiva Felipe e Humberto Costa, da gestão petista, e Barjas Negri e José Serra, da administração tucana. ?Eu só vou se o Lula for?, avisou Serra, segundo disse um deputado.Ao recusar o convite para depor, por ser facultativo, Serra corre o risco de ser convocado, o que torna o depoimento obrigatório. Para isso, o governo pode articular sua tropa de choque e aprovar a ida compulsória do tucano. Embora não exista nada até agora contra Serra, o governo usaria a estratégia para colocar os tucanos na defensiva. Para driblar o confronto, restaria a alternativa de um acordo que evitasse constrangimento para os dois partidos. ?A única saída seria um acordo com o governo?, previu o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).Para manter a CPI viva, a única alternativa dos deputados é mobilizar a opinião pública contra qualquer tentativa de um acordo para abafar a CPI. ?Vamos voltar à condição de guerrilheiro e denunciar os acordões?, prometeu Jungmann.

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