Passageira de cruzeiro passa mal em SC, é internada e morre

No caso da jovem que faleceu em dezembro, laudo confirma que ela se asfixiou com o próprio vômito

Julio Castro e Luiz Carlos Silva, Simone Menocchi e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

Familiares de Jane Lúcia Alves Botelho, de 57 anos, morta após passar mal durante um cruzeiro marítimo, acusam a empresa Costa Cruzeiros de não dar assistência nem pagar despesas médicas e de traslado em território catarinense, onde ela foi atendida. A passageira morreu na sexta-feira, no Hospital Santa Inês, em Balneário Camboriú, após uma viagem de vários dias a bordo do navio Costa Mediterranea. Segundo a Assessoria de Imprensa da Costa Cruzeiros, a família de Jane não entrou em contato com a empresa para comunicar o falecimento - despesas decorrentes do funeral e transporte do corpo, em caso de necessidade, estão previstas no contrato com a agência de viagens que vendeu o pacote, segundo a Costa Cruzeiros. Em nota, a empresa informa que fará a investigação dos fatos.De acordo com o marido de Jane, Vicente Valdoir, ela começou a passar mal em Punta del Este, na costa uruguaia, quando cumpria o oitavo dia de viagem. Jane chegou a ser medicada a bordo, sem apresentar melhoras. Na terça-feira passada, o navio ancorou em Porto Belo, uma baía próxima de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Ela foi retirada do navio e levada de lancha até uma clínica em Porto Belo. Com quadro clinicamente grave, foi sugerido seu traslado de ambulância (ao custo de R$ 1,8 mil, pagos por Valdoir) para o hospital particular Santa Inês, onde ela ficou internada até morrer. O Hospital Santa Inês não quis informar a causa da morte, se limitando a divulgar que o laudo ainda não havia sido concluído até ontem à noite. Segundo Valdoir, os médicos diagnosticaram uma gastroenterite aguda (inflamação do estômago e do intestino). Ele alega que a mulher fez todas as refeições no interior do navio, onde conviveu com um quadro constante de dores abdominais. Na fase crítica de internação, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), seus rins pararam de funcionar. A direção do hospital deve divulgar hoje uma nota médica.Jane tinha um histórico de hepatite. Seu corpo foi enterrado ontem pela manhã, em Lavras, região centro-oeste de Minas. LAUDOA estudante Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, que morreu a bordo de um cruzeiro universitário no navio MSC Opera, em dezembro do ano passado, em Ilhabela, litoral norte paulista, teve asfixia provocada por líquido. O laudo do Instituto Médico-Legal, divulgado ontem pela Polícia Federal, mostra que a asfixia por aspiração de líquido deve ter sido provocada pelo próprio vômito. Isabela morava em Bauru e iria se formar em Direito.Testemunhas contaram à Polícia Federal que Isabella começou a passar mal por volta das 16h30 do dia 19 de dezembro, por conta do excesso de ingestão de bebida alcoólica. Ela chegou a ser atendida por uma equipe médica do navio, mas não reagiu aos medicamentos utilizados.A passageira Lisa Pereira, amiga de quarto de Isabela, informou que a vitima havia bebido muito, mas não tinha usado drogas. Os primeiros resultados de exame toxicológico indicam que não foram usadas cocaína e maconha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.