Passageiro padece com falta de preparo de motorista e cobrador

Freadas bruscas, direção agressiva e inabilidade com acessórios são alguns dos problemas

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

Portadora de necessidades especiais, a paulistana Ana Paula Camargo, de 36 anos, costuma pegar o ônibus na Avenida Paulista, quando sai do trabalho, por volta das 19 horas. Não é raro ela esperar até meia hora por um ônibus adaptado. "Não pego os que têm elevador", diz a cadeirante. "Quando o equipamento não está quebrado, o motorista não sabe operá-lo direito. Daí, acabo sendo carregada no colo. É constrangedor e atrasa muito o ônibus. Por isso, espero sempre pelo ônibus adaptado com rampa mecânica. É só abrir uma portinha no chão e desdobrar a rampa. Não tem como ninguém se atrapalhar."Na segunda-feira, quando o tal ônibus passou, o motorista parou o veículo cerca de 20 metros do local de onde Ana Paula estava. Isso porque ela não conseguiu dar sinal. Ali, havia uma banca de jornal obstruindo sua visão. Ela só viu o ônibus quando ele estava bem na sua cara. Para não perder a condução, Ana Paula teve de acelerar a cadeira de rodas, driblar um bloqueio de pessoas, que também aguardavam no ponto lotado, e gritar bem alto para o que o cobrador a avistasse. Todos os dias os paulistanos passam por inúmeras situações que refletem a falta de qualificação dos funcionários que operam os ônibus. É o motorista arrancando com o veículo antes do passageiro ter completado o desembarque, dando freadas bruscas e dirigindo de forma agressiva. "A falta de qualificação coloca em risco a vida do paulistano. Muitas vezes, subi em ônibus em que o motorista escutava um som tão alto como se estivesse na sala de sua casa", diz Horácio Augusto Figueira, consultor em Engenharia de Tráfego e Transporte. No Canadá, o ônibus, por exemplo, tem funcionários bem treinados que avisam com antecedência qual será a próxima parada. Dão até a numeração da rua em que está o ponto. Vão além. Informam sobre shoppings, museus e bancos, entre outros lugares importantes que estão nas imediações das paradas. "Aqui o cobrador é subaproveitado. Ele só recolhe o dinheiro", diz Figueira. "Há casos de funcionários tão sem preparo que não conseguem nem orientar os passageiros sobre dados básicos do itinerário que fazem diariamente."

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