Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Mudanças na fiscalização provocam filas em Congonhas e Santos Dumont

No aeroporto da capital paulista, fila para raio X chegou ao andar de baixo do terminal; cinco voos atrasaram e um foi cancelado

Isabela Palhares e Victor Aguiar, O Estado de S. Paulo

18 Julho 2016 | 10h22
Atualizado 18 Julho 2016 | 22h57

As regras mais rígidas para embarque em voos domésticos causaram transtornos e perda de voos nesta segunda-feira, 18, na ponte aérea Rio-São Paulo, principal eixo nacional. Como consequência, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recomenda agora que passageiros cheguem com pelo menos duas horas de antecedência aos terminais - a orientação dada no fim de semana era de 1h30. E também sugere que notebooks, cintos, relógios e outros objetos metálicos sejam retirados antecipadamente da bagagem de mão.

Nesta segunda, a rigidez que passou a ser adotada nas revistas unificou os cuidados entre embarques nacionais e internacionais no País, o que inclui a revista de passageiros para o acesso às áreas restritas (setor de embarque, pista e aeronaves) e a inspeção de bagagens. A mudança só foi anunciada na sexta-feira, o que irritou muitos passageiros. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) informou que não houve tempo hábil para que as companhias aéreas e os terminais se adaptassem. 

Em Congonhas, na zona sul de São Paulo, as filas começaram às 5 horas e só foram normalizadas às 9h30. Pelo local, transitam por dia cerca de 52 mil passageiros e o aeroporto tem nove pórticos de inspeção. “Todo o salão de embarque estava tomado por filas. As pessoas estavam muito irritadas porque não conseguiam informações e perderam voos”, disse a esteticista Aparecida Oliveira, de 59 anos. Ela chegou de Belo Horizonte às 8 horas para uma escala na capital, de onde seguiria para Belém, e disse ter ficado assustada com a confusão. 

A publicitária Fabiana Bailo, de 40 anos, alegou não saber dos novos procedimentos de segurança e perdeu o voo para o Rio. Ela chegou em Congonhas uma hora antes do horário em que sua viagem estava marcada e foi impedida até mesmo de fazer o check-in. “É revoltante. Como mudam os procedimentos e não avisam melhor os passageiros? Vou ter de pagar R$ 200 para remarcar o voo e esperar mais de quatro horas. É um desrespeito”, disse.

Dos 202 voos previstos para Congonhas nesta segunda, 15 atrasaram e 2 foram cancelados até as 18 horas. Nos 49 aeroportos que têm as operações programadas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dos 1.225 voos previstos até o horário, 43 atrasaram.

Em Cumbica, não houve filas grandes ou atrasos. No entanto, muitos passageiros relataram que não sabiam das mudanças e chegaram em cima do horário do voo. No Aeroporto de Viracopos, em Campinas, no interior, dos 12 pórticos para inspeção, apenas 8 estavam em operação, mas não houve problemas. Naquele terminal, 40% dos passageiros são provenientes de conexões, o que exclui a necessidade de revistas.

Despreparo. O SNA informou que solicitou reunião com a Anac e as companhias para que sejam adotadas medidas que “organizem os aeroportos” e prometeu protestos, caso os trabalhadores permaneçam com “sobrecarga”. “Tomaram a medida da noite para o dia, como se isso não tivesse consequências. Não houve tempo de preparo e os funcionários foram convocados a entrar mais cedo, fazer hora extra”, disse a diretora executiva, Selma Balbino.

A Anac lamentou os transtornos e pediu a compreensão dos passageiros. Ressaltou ainda que as empresas foram informadas das mudanças por “minutas” em agosto e fevereiro e os problemas se restringiram a Brasília, São Paulo e Rio pela manhã. A agência informou que procurou a Infraero e orientou a empresa a tomar medidas para acelerar a inspeção. 

Já a empresa negou horas extras e garantiu que seus funcionários estão bem treinados, mas admitiu que será necessário instalar pelo menos mais dois “canais de inspeção (raios X e pórticos detectores de metal)”. “Para isso, a empresa já está abrindo espaço no térreo para a instalação provisória.”

Para o especialista em segurança de solo aeroportuário Valdir Bicego Júnior, o procedimento é importante e já deveria ter sido adotado. Segundo ele, para que as regras sejam eficientes, é essencial que os funcionários estejam bem treinados. “O que vai acelerar essa vistoria são pessoas bem preparadas, confiantes e que saibam o que e onde procurar.” 

Rio tem bate-boca entre passageiros e queixas de turistas

Também houve transtornos pela manhã no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. As duas filas organizadas pelos agentes da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), com os passageiros de embarque imediato, chegaram a dar duas voltas no saguão, entre 6h e 7h30. Houve discussão entre passageiros, quando desatentos entraram na fila errada. Nesse período, 3.600 passageiros embarcaram - o aeroporto tem oito aparelhos de scanner.

Segundo a comerciante Gabriela Santos, de 28 anos, que tem uma loja na frente do portal de embarque, houve muita confusão. “A fila era muito grande, nunca vi o aeroporto assim.”

Na página do aeroporto no Facebook, passageiros que estiveram no local reclamaram do “caos”. “Filas enormes para revista nos aeroportos. Aviso aos viajantes: cheguem bem cedo, caso contrário o risco de perder o voo é grande”, escreveu uma passageira. Uma turista lamentou, em espanhol: “A duas semanas da Olimpíada no Rio, já começou o caos”. Mas, de acordo com a Infraero, não houve atrasos nem cancelamentos de voos por causa da mudança. 

No Aeroporto Internacional Tom Jobim (Ilha do Governador, zona norte) não houve filas. “O aeroporto já estava adequado, antes de começar as medidas, tem novos raios X e dois scanners corporais (embarque doméstico e internacional). O fluxo no canal de inspeção ocorreu normalmente”, informou, por meio de nota, a administração do terminal. / COLABORARAM ANNE WARTH, CONSTANÇA REZENDE e JANAÍNA RIBEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO 

 

 

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