Passageiros ficam presos em teleférico em São Vicente

Vinte pessoas viveram horas de pânico nesta domingo, quando o teleférico de São Vicente, que liga a Praia do Itararé ao Morro do Voturuá, parou, deixando os usuários suspensos no ar e sem condições de desembarque. O acidente, provocado pela quebra do eixo motriz do equipamento, ocorreu por volta das 9h45, mas as primeiras vítimas só puderam ser resgatadas pelos bombeiros perto das 14 horas. Cinco minutos após a comunicação, 15 homens do Corpo dos Bombeiros já estavam no local. Segundo informou o tenente Fábio Betini, que comandou a operação, o resgate tornou-se difícil em razão da dificuldade de acesso ao morro, obrigando os bombeiros a improvisar um rapel, com cordas. Nenhum ocupante do conjunto de cadeiras ficou ferido, mas o susto foi grande. Algumas pessoas tiveram de ser encaminhadas ao Pronto-Socorro, em função de forte crise nervosa. Como o local é íngreme, a operação teve de ser muito bem planejada para que ninguém se machucasse. Cada vítima resgatada do teleférico, alcançado por meio de uma escada magírus, era recebida com aplausos por centenas de curiosos, que acompanharam de perto os trabalhos dos bombeiros e da Defesa Civil do município. Um dos resgates mais dramáticos foi do garoto Caio, registrado sete horas depois do acidente. Ele desceu o morro nos ombros do bombeiro, que também lhe cedeu o capacete. Assustado, o garoto sorriu, mas não quis falar com ninguém. Sua mãe, também bastante nervosa, vinha logo atrás, de rapel. Mais descontraído, Osmar Alves da Cruz, que mora em São Vicente, só lamentava o fato de não ter seguido os conselhos da esposa, que considerava o passeio extremamente perigoso. "Fiquei seis horas lá em cima, mas não me apavorei. O problema todo é que saí para comprar pão na padaria e não avisei a minha família, que deve estar preocupada", dizia. Interdição De acordo com o secretário de Projetos Especiais da prefeitura de São Vicente, Márcio Papa, o equipamento vai permanecer interditado, até que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) emita um laudo sobre o acidente. "Acredito que foi uma fatalidade e não houve precipitação da empresa em colocar o equipamento em funcionamento sem a devida cautela", afirmou, descartando a versão de que o acidente ocorreu por falta de cuidado dos responsáveis. O engenheiro Ronaldo Paiva e Silva, responsável-técnico pelo Teleférico de São Vicente, informou que só nesta segunda-feira a empresa terá condições de avaliar tecnicamente a ocorrência. Ele disse que, antes do eixo-motriz quebrar, outros circuitos entrariam em pane, o que propiciaria a operação manual do equipamento, fazendo o desembarque normal dos usuários, fato que não ocorreu. Paiva e Silva acredita que o fabricante terá de se explicar e vai ser acionado por isso.

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