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Passaporte vencido salva brasileiro de voo da Air France

Analista de 37 anos só percebeu que não poderia viajar duas horas e meia antes do embarque no Rio

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2009 | 19h40

Para a família e os amigos, foi a "providência divina" que salvou João Marcelo Martins Calaça. Para ele, foi apenas uma coincidência o fato de seu passaporte ter vencido - o que o impediu de embarcar no voo AF 447. Calaça, um analista judiciário de 37 anos, só percebeu que não poderia viajar duas horas e meia antes do horário de embarque, ao checar a validade do documento. Telefonou para o agente de viagem, que confirmou que o passeio pela Europa teria mesmo de ser adiado.

 

Nesta segunda-feira, 1.º, ao acordar, seu telefone celular contabilizava 25 chamadas perdidas. Eram os amigos, desesperados por notícias. "Foi um erro bobo que salvou minha vida e do meu amigo, que viajaria comigo. É estranho falar isso agora, mas eu não estava com uma boa intuição", contou Calaça. "Quando vi as 25 chamadas, pensei na hora que poderia ter acontecido alguma coisa com o voo. Liguei a TV e senti um calafrio. Acho que a ficha ainda não caiu."

 

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Ele passou o dia dando entrevistas. Tantas que teve uma queda de pressão. Mas Calaça não se deixou abater: à tarde mesmo, já estava num posto da Polícia Federal para renovar o passaporte. Pretende viajar assim que o documento estiver pronto, com o amigo norte-americano que o acompanharia no voo da Air France, mas que desistiu por preferir deixar para voar com Calaça.

 

Funcionário do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, Calaça é bacharel em Direito e está matriculado num curso de pós-graduação na Espanha. Ele iria fazer apenas uma escala em Paris e, de lá, seguiria viagem para Madri, a fim de resolver questões relativas ao curso, e, depois, para Lisboa, para passear.

 

"Eu sou espírita e a conclusão que tiro é que existe uma força maior que determina esse tipo de coisa. Para ele, foi tudo uma grande coincidência. O que achei interessante foi o fato de ninguém ter substituído o João Marcelo e o amigo nos dois lugares no avião", contou Tânia Calaça, irmão do analista judiciário. Já o amigo Luiz Alberto Miranda acha que foi São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, quem protegeu seu amigo. "Sou devoto e pedi a São Sebastião para guardar meu amigo. Acho que foi uma intervenção do santo."

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