Passarela de acesso a Congonhas tem problemas estruturais

Insegurança, desconforto e dificuldade de acesso são algumas das reclamações dos usuários da passarela que dá acesso ao Aeroporto de Congonhas, na Avenida Washington Luís, na zona sul de São Paulo. Única porta de entrada para pedestres que estão no sentido bairro da avenida, a estrutura apresenta problemas graves para quem precisa cruzá-la.Dois comissários de vôo que não quiseram se identificar - a empresa onde trabalham proíbe funcionários uniformizados de dar entrevistas - reclamaram das escadas. ?Subir com esse peso é sofrido.? A falta de segurança também incomoda. ?Os casos de roubo daqui são muitos. Às vezes, temos que atravessar às 3, 4 horas da manhã.?O supervisor de telemarketing Maurício Neves Corrêa, que viaja a cada três meses, sobe e desce as escadas que levam ao ponto de ônibus com a mala de rodinha nos braços e desaprova a estrutura. ?O ideal seria ter rampa ou elevador.?Para alívio dos pedestres, uma reforma da passarela está em planejamento. Assim que os últimos trâmites burocráticos forem superados, a estrutura metálica projetada por Vilanova Artigas - arquiteto que projetou o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e o Estádio do Morumbi - ganhará cobertura e elevadores. A maior parte do custo da obra será bancada por empresas da região.Quem passou o chapéu foi Carlos Alberto Camargo, engenheiro que entrou na história por acaso. ?Tivemos a idéia de pintar a passarela, mas descobrimos que ela é tombada, e aí começou uma negociação que se estende até hoje?, explica.Para realizar parcerias com a Infraero e Prefeitura, foi fundada a Associação dos Amigos da Passarela (Aspa). O projeto da reforma é de Julio Artigas, filho do arquiteto. ?A passarela é de 1974 e está estruturalmente perfeita, mesmo depois de ser derrubada por um caminhão?, diz. ?A reforma preserva as características e agrega vantagens, como uma cobertura para os pedestres.??A quantidade de vezes que o projeto foi e voltou na Prefeitura, Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e Contresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) é absurda. Começamos em 1999 e até agora a obra não teve início?, conta Camargo.De acordo com a Prefeitura, a Aspa precisa apresentar o projeto da passarela adaptado às condições da lei Cidade Limpa, que restringe publicidade externa. ?A obra foi planejada para explorar publicidade. Essa receita, inclusive, é que ia financiar a reforma. Agora o projeto deve ser reavaliado?, afirma Ronaldo Camargo, secretário-adjunto de Coordenação das Subprefeituras.

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