Passeata percorre cracolândia

Comerciantes protestam contra consumo de drogas

Diego Zanchetta, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

29 Julho 2009 | 00h00

Um protesto que reuniu, ontem à tarde, cerca de 400 comerciantes e moradores da região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, encurralou dezenas de viciados espalhados pelas esquinas onde ocorre o consumo da droga. Com apitos, faixas, buzinas e sob o grito de "queremos trabalhar", os manifestantes fizeram uma passeata com paradas estratégicas em calçadas ocupadas dia e noite pelos usuários. Meia hora após a passeata parar a Avenida Rio Branco e a esquina da Ipiranga com a São João, os manifestantes entraram na Rua Conselheiro Nébias, no ponto que reúne a maior concentração de viciados. Por volta das 17h20, quando o protesto chegava na esquina com a Rua Vitória, tradicional e mais conhecido reduto do crack, os usuários saíram correndo. Nesse momento, a passeata parou e os comerciantes, cercados pela PM, fizeram um ato para celebrar a ocupação da calçada - de mãos dadas, eles cantaram o Hino Nacional. A manifestação, organizada principalmente por donos de lojas de peças para motos e de hotéis dos Campos Elísios, conseguiu a adesão de dezenas de comerciantes, que fecharam os estabelecimentos. Os líderes do protesto também tentaram evitar confrontos com os viciados que passavam perto do ato. Mas, a cada garoto dependente com cobertor nas costas que passava perto, os protestantes entoavam uma vaia com buzinaço. Com as ruas ocupadas pela passeata, os usuários se refugiaram na Praça Julio de Mesquita. Por volta das 18h, com o fim da passeata, os usuários voltaram a ocupar a Conselheiro Nébias. Após o protesto, a Prefeitura informou que a ação na cracolândia será mantida por tempo indeterminado. Pela manhã, a União Nacional de Moradia também promoveu um protesto, ao lado da Estação da Luz, para reivindicar a construção de moradias populares na área do bairro que será concedida à iniciativa privada. Como parte da ação na cracolândia, técnicos da Secretaria de Habitação começaram a cadastrar famílias despejadas dos 12 hotéis e sete pensões lacrados desde o dia 22.

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