Pasta é o ''sonho de consumo'' de políticos por resposta eleitoral

São múltiplas as razões que explicam porque o Ministério das Cidades é o objeto de desejo de petistas, peemedebistas, pepistas e socialistas.

Bastidores: Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Na visão dos líderes mais experientes do Congresso, ele é o "verdadeiro ministério social". Mais social que o do Combate à Fome com seu Bolsa-Família. Os políticos têm a resposta na ponta da língua para esse desejo: "Porque o dinheiro é um benefício efêmero, que acaba na primeira visita ao supermercado, e a casa é um bem para uma vida, assim como o asfaltamento da rua onde se mora."

Os mais argutos dizem que ter o comando das Cidades é ainda melhor do que estar à frente dos Transportes. As obras que podem ser feitas por intermédio do Ministério dos Transportes são grandiosas, é verdade. No mundo da política, porém, rende mais votos atender às bases eleitorais no varejo, com pequenas obras de calçamento de ruas e saneamento, por exemplo, do que no atacado, com a duplicação de uma rodovia federal.

Um velho líder peemedebista diz que ter sob seu comando a máquina das Cidades significa garantir acesso a obras para atender a prefeituras de grandes e pequenas cidades. "Esse ministério é um maná de miudezas que custam pouco e agradam muito. E isto é tudo que os políticos mais querem", explica.

Embora só quatro partidos estejam na guerra aberta pelo comando da pasta (PT, PMDB, PP e PSB), os líderes não têm dúvida de que quem não está brigando por ela também a deseja. O PMDB é o partido que há mais tempo suspira por ela.

Precisamente há uma década, o então assessor especial do Palácio do Planalto, Moreira Franco, já trabalhava no bastidor para convencer o presidente Fernando Henrique Cardoso a criar o Ministério das Cidades. Sonhava ele, então, ser o primeiro ministro da nova pasta, que resumia o grande desafio que os governantes teriam pela frente: a administração das grandes metrópoles.

O PP argumenta que deve manter o comando do ministério no governo Dilma Rousseff porque é uma legenda de perfil municipalista, rural e voltada para as pequenas e médias empresas.

Os líderes pepistas acenam com números: a legenda tem nada menos de 555 prefeitos eleitos - e sua área de atuação são justamente os municípios menores, no interior, onde o Ministério das Cidades aparece com maior força.

Se nenhum desses argumentos valer, o PP vai lembrar que, quando um ministério está ligado a um partido político, boa parte de seus quadros está alojada ali. Se houver troca de comando, dizem, vão ter que demitir todo mundo e isto pode complicar a vida do novo governo.

Quando o PSB lembra que elegeu seis governadores e isto cacifa o partido para disputar e levar o ministério das Cidades, os pepistas contra-argumentam que, quanto maior o número de governadores, mais dependente a legenda fica do governo federal e do presidente da República.

Advertem, também, que não são os governadores que garantem estabilidade política ao governo. Quem dá os votos, destacam, são os deputados e senadores e o PP saltou de um para cinco representantes no Senado Federal. E arrematam: "Nossa bancada pode ser decisiva na hora de aprovar polêmicas de interesse do Planalto."

É JORNALISTA DE O ESTADO DE S. PAULO

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