Pasta vira abrigo para ex-líderes estudantis da sigla

Orlando Silva, que também comandou a UNE, utiliza a estrutura do Ministério do Esporte para alojar sucessores na entidade

LEANDRO COLON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2011 | 03h07

O Ministério do Esporte virou um abrigo para ex-presidentes e ex-dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), outro feudo do PC do B. Com um currículo raso na área esportiva, eles ganharam postos importantes de comando no ministério dominado pela legenda no governo Lula (2003-2010) e agora na gestão de Dilma Rousseff.

Presidente da entidade estudantil entre 1995 e 1997, o ministro Orlando Silva tem ao seu lado no ministério os dois integrantes do PC do B que o sucederam no comando da UNE no fim dos anos 90: Ricardo Capelli e Wadson Ribeiro. Está ainda na pasta Ricardo Gomyde, também ex-diretor da entidade.

O mais poderoso deles é Wadson. Foi secretário-executivo do ministério na gestão passada e hoje é secretário de Esporte Educacional, responsável pelo Programa Segundo Tempo, pivô das denúncias de desvios de recursos que levaram o ministro ao centro da crise política.

Wadson, como é conhecido, presidiu a UNE, mas não concluiu o curso superior. Largou a faculdade de medicina em Juiz de Fora (MG) para militar no PC do B. Tentou, sem sucesso, ser deputado estadual em 2006. Perdeu e foi ser secretário-executivo do ministério, o segundo cargo mais importante da pasta.

Ele deixou a pasta para ser candidato a deputado federal em 2010 em Minas Gerais, quando declarou à Justiça Eleitoral ser "empresário".

Perdeu de novo nas urnas, mas foi convidado por Orlando Silva para retornar ao ministério, agora como secretário de Esporte Educacional, a pasta mais importante da área.

Fachada. O Estado revelou ontem que ele assinou e renovou um convênio do Segundo Tempo que nunca saiu do papel com uma Organização Não-Governamental (ONG) de fachada. O dirigente aparece como responsável pelo contrato com o Instituto de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Idec), entidade que firmou um convênio de R$ 911 mil, mas nunca executou o projeto na pequena cidade de Novo Gama, no entorno do Distrito Federal. O Ministério do Esporte anunciou que vai rescindir esse convênio e pedir a devolução dos recursos liberados.

Antes de Wadson Ribeiro dirigir a UNE, o carioca Ricardo Cappeli presidiu a entidade entre 1997 e 1999 e também não concluiu o curso universitário. Hoje, ele é coordenador do programa da Lei de Incentivo ao Esporte no ministério. Cabe a Capelli autorizar projetos desportivos a captarem recursos com isenção fiscal. Em 2008, o comunista não conseguiu ser eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro.

Meses depois, foi nomeado para trabalhar no Ministério do Esporte. Ex-diretor da UNE, o comunista Ricardo Gomyde é assessor especial do ministro Orlando Silva. Foi deputado federal e candidato a prefeito de Curitiba (Paraná) em 2008. Ano passado tentou voltar à Câmara, mas foi derrotado nas urnas.

Convênios. Além do Ministério do Esporte, o PC do B também criou problemas para o governo por meio da UNE. Em novembro de 2009, o Estado revelou uma série de irregularidades envolvendo convênios da entidade com o Ministério da Cultura. A UNE forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa fantasmas de segurança, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília. Apesar das suspeitas, o governo Lula aumentou em 20 vezes os repasses para a entidade. Foram mais de R$ 10 milhões em cinco anos.

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