Pastor negociou a rendição de Benfica. Polícia diz que não

Quando o pastor Marcos Pereira da Silva entrou na Casa de Custódia de Benfica, às 16h30 de segunda-feira, encontrou detentos amarrados de cabeça para baixo nas grades, e agentes presos a botijões de gás. ?Em nome de Deus?, repreendeu os líderes do motim. ?Eles caíram possessos. Os demônios foram expulsos ali mesmo e eles me entregaram as armas. Fiz uma oração e cantamos hinos de louvor?, contou o pastor Marcos, como é chamado. Ele se recusou a ver os corpos. ?Gente da minha equipe viu e disse que estavam mutilados, enforcados. Uma barbárie?.O pastor Marcos ? considerado essencial pelo secretário de Assistência Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, para evitar tragédia maior na rebelião ? é figura controversa no meio carcerário. ?A rendição já estava negociada. Ele não ajudou em nada. Fez aquela aparição cinematográfica, chegando de helicóptero, passou por cima das autoridades que coordenavam as negociações e teve participação inócua. Ele até estava proibido de ingressar nos presídios pelo secretário?, comentou o coordenador da Defensoria Pública no sistema carcerário, Eduardo Gomes.O pastor não comenta a proibição. Disse que esteve na casa de custódia a convite do secretário de Segurança, AnthonyGarotinho, que lhe enviou o helicóptero. ?Evitei um massacre maior?, diz. Marcos é presidente da Assembléia de Deus dosÚltimos Dias, fundada por ele e seu irmão, o pastor Robson, em 1991. O foco principal da igreja é a população carcerária,parentes de presos e ex-presidiários.Ele e o irmão foram chamados para intermediar rebeliões em algumas ocasiões. O fato de as irmãs do traficante MárcioNepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, serem fiéis da congregação e de a igreja atuar em motins comandados pelo Comando Vermelho, levaram Marcos a ser identificado como o ?pastor do CV?. Ele nega a ligação com a facção criminosa. E lista os fiéis ligados a outras organizações criminosas: as irmãs de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, ligado à ADA (Amigo dos Amigos) e morto na rebelião de Bangu 1, mulher e filhos de Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, da ADA, e as filhas de José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha. Também freqüentam a igreja o humorista Dedé Santana e o lutador Victor Belfort, diz o pastor Marcos.A igreja dirigida por ele, com sede em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, tem entre 800 e 900 integrantes. Asmulheres usam vestidos longos, que deixam apenas a cabeça e as mãos à mostra. A veste, chamada de roupão, foi idealizada a partir da visão de uma das mulheres e não pode ter as cores vermelha ou preta. Homens e crianças também usam roupascompridas.

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