Patrícia Abravanel conta versão dramática e não fala de Deus

Em um depoimento bem diferente daquele dado aos jornalistas no dia de sua libertação, no dia 28 de agosto, a estudante Patrícia Abravanel contou hoje na 30ª Vara Criminal, no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, os momentos dramáticos vividos por ela no cativeiro. Sem registrar a palavra Deus no depoimento, a filha do apresentador Silvio Santos revelou detalhes até agora desconhecidos: os criminosos podem ter consumido drogas no cativeiro; dispararam um tiro; comentavam outros crimes que teriam cometido; passeavam encapuzados e armados com metralhadoras e outras armas pela casa; e ela ficou quatro dias amarrada sempre com um homem dormindo no quarto.Patrícia não quis depor na frente dos cinco réus presos. Contou que, ao ser dominada em casa, um dos criminosos apanhou-a pelos cabelos e jogou-a no banco traseiro do carro dela, um Passat. Nos primeiros dias, foi mantida amarrada. Um homem sempre dormia no seu quarto até que Luciana dos Santos Sousa, a Jeniffer, apareceu na casa. Apesar disso, disse que não sofreu "maiores constrangimentos", nem foi molestada sexualmente. Mesmo assim, pediu aos criminosos que Jeniffer dormisse ao seu lado. A partir de então, ficou desamarrada.Dias antes de ser libertada, ela disse ter percebido que os três seqüestradores que estavam na casa haviam "se drogado" pois ouviu vozes num tom estranho e um deles entrou no seu quarto "bem alterado". Não viu, entretanto, as drogas.Um dos criminosos, disse, andava sempre com uma arma amarrada na perna e viu também "uma arma comprida nas mãos dos seqüestradores", que seria uma submetralhadora - com os acusados foram apreendidos uma submetralhadora, revólveres e pistolas.Embora sempre usassem capuzes, Patrícia conseguiu reconhecer Fernando Dutra Pinto, mentor do seqüestro, seu irmão Esdras e Jeniffer. O reconhecimento foi feito por meio dos olhos cicatrizes, estatura e vozes dos réus. Ela não teve certeza em relação a Marcelo Batista Santos, o Pirata, e não reconheceu Tatiane Pereira Silva, mas disse ter ouvido os seqüestradores dizerem que a comida que lhe era servida era preparada pela Tati. Eles lhe deram remédio quando ela teve crise de bronquite.A estudante contou que Jeniffer confessou ter sido a autora de um tiro dado dentro da casa, que, antes, Esdras lhe havia dito se tratar de uma bombinha. Segundo ela, Jeniffer mostrava-se arrependida e chegou a chorar. Patrícia chegou a afirmar no cativeiro que não iria denunciá-la, mas hoje explicou que fez isso para ganhar sua confiança. Disse ainda porque mudou de idéia: "Não dá, é seqüestro".Segundo Patrícia, os criminosos disseram-lhe que planejavam um seqüestro longo, que deveria durar três meses. Afirmaram ainda que o resgate exigido era de R$ 7 milhões (metade em reais e metade em dólares). Na última noite do seqüestro, ela foi deixada sozinha na casa, mas não conseguiu escapar porque as janelas e portas estavam trancadas.A estudante contou que mentiu aos jornalistas dizendo que o resgate não havia sido pago porque foi aconselhada pela polícia. Ela depôs durante uma hora e meia. Nas quatro páginas do depoimento, em nenhum momento a palavra Deus foi registrada pelo juiz Adilson de Araújo.

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