Patrimônio ferroviário paulista cai no abandono

A paralisação do Programa de Recuperação dos Bens Culturais (PRBC), instituído em dezembro de 1998 pelo ex-governador Mário Covas, está colocando em risco grande parte da memória ferroviária do Estado de São Paulo. O projeto, que previa investimentos de R$ 1,5 milhão na preservação do patrimônio histórico ligado à ferrovia, parou em novembro de 2000. Dos três museus ferroviários criados pelo programa em Sorocaba, Rio Claro e Jundiaí, apenas um - o de Jundiaí - funciona regularmente. A prefeitura adquiriu o imóvel e assumiu a parte local do plano. As propostas de restauração de prédios históricos, como a estação da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), em Sorocaba, ficaram só no papel. Os 38 profissionais que executavam o programa estão com 16 meses de salários atrasados. O Governo do Estado instituiu o PRBC para evitar que, com a extinção da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), o patrimônio histórico se perdesse. O coordenador, Emanuel van Lauenstein Massarani, aproveitou uma equipe de técnicos remanescentes da própria Fepasa. "Esse pessoal já trabalhava com o patrimônio da ferrovia", contou Nelson França Júnior, ex-coordenador do museu de Rio Claro. As contratações foram feitas através da Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CTPM). Os recursos para o programa eram liberados a cada seis meses. Com a doença e o falecimento do governador, as verbas deixaram de ser repassadas. "Mesmo sem receber salários, continuamos trabalhando até março deste ano", disse França. Em abril, Massarani desligou-se do projeto, que estava vinculado à Secretaria de Gestões Estratégicas do governo.O Museu do Eucalipto, que guarda a memória da antiga Ferrovia Paulista, pioneira no uso de eucaliptos como dormente, foi fechado. O Museu Ferroviário de Sorocaba está sendo mantido pela prefeitura, mas suspendeu as visitas monitoradas, responsáveis pela maior parte do movimento. "A conservação desse patrimônio, através de um conjunto de ações integradas, agora corre alto risco", acredita França. Em março deste ano, ele e outros coordenadores entregaram um dossiê sobre o PRBC ao governador Geraldo Alckmin. Uma semana depois, o grupo foi convocado para uma audiência com o secretário adjunto de Gestões Estratégicas, Mário de Magalhães Papaterra. "Estamos tentando pelo menos receber os atrasados", disse. A Secretaria informou que o programa foi incorporado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat), órgão da Secretaria da Cultura. O pagamento dos salários atrasados está sendo analisado pelos órgãos jurídicos do Estado.

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