Patriota citou desconfiança ao embaixador dos EUA

As relações diplomáticas entre Brasil e Irã eram, no início de 2010, marcadas por um "alto grau de desconfiança", segundo o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota, favorito para assumir o Ministério das Relações Exteriores no governo Dilma Rousseff.

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

A avaliação foi feita por Patriota em um diálogo com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thommas Shannon, no dia 4 de fevereiro, e registrada em relatório enviado ao Departamento de Estado do governo norte-americano. O documento é um dos que vieram a público no Wikileaks, site especializado na revelação de informações confidenciais.

Na conversa, Patriota disse que os brasileiros nunca sabiam se os iranianos estavam sendo sinceros nas negociações em torno de seu programa nuclear. Mas o diplomata defendeu a aposta brasileira no diálogo. Afirmou que o Brasil pretendia, acima de tudo, evitar a repetição do que ocorreu no Iraque.

"A desestabilização do Irã seria desastrosa, ele (Patriota) disse, e enquanto houver possibilidade de negociações diplomáticas, a comunidade internacional deve buscá-las", relata o telegrama da Embaixada dos EUA.

Patriota afirmou ainda, segundo o despacho diplomático, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pagou um "preço político" por se aproximar do Irã, destacando seu desgaste "principalmente entre líderes da comunidade judaica" do Brasil.

Esse desgaste teria sido atenuado, de acordo com o representante do Itamaraty, por declarações de Lula sobre a necessidade de se reconhecer o Holocausto - fato histórico negado pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Outros tópicos da conversa entre Patriota e Shannon foram a reconstrução do Haiti e a compra de caças para reequipar a Força Aérea Brasileira.

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