Cristiano Couto/Hoje em Dia
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Patrus antevê fracasso em MG e culpa Pimentel

Com perspectiva de derrota no 1º turno para Anastasia, vice de Hélio Costa atribui fragilização do partido a aliança entre ex-prefeito e Aécio em 2008

Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O crescimento das intenções de voto em Antonio Anastasia (PSDB) e a perspectiva de vitória do governador tucano e candidato à reeleição no 1.º turno fizeram recrudescer feridas abertas no PT-MG e as dificuldades para a formação da aliança com o PMDB na disputa pelo Palácio Tiradentes.

O candidato a vice na chapa encabeçada por Hélio Costa (PMDB), Patrus Ananias (PT), culpou a aliança entre seu colega de partido, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel - candidato ao Senado -, e o ex-governador Aécio Neves (PSDB) na eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, pelo que chamou de fragilização da militância petista na capital e região metropolitana. A Grande BH é uma das regiões do Estado onde a candidatura de Anastasia mais cresceu.

"Sinto que a militância do PT ficou machucada com o processo de 2008", disse Patrus após um ato de campanha. "Para mim, o processo está resolvido. Mas é sempre bom resgatarmos para não perdermos a memória. Nós tínhamos a hegemonia, a liderança do processo políticos em Belo Horizonte e abrimos mão disso."

A declaração do ex-ministro do Desenvolvimento Social causou um descontentamento, até então velado, da chapa ao governo com campanha "descolada" de Pimentel, que deixou o Executivo municipal com índices elevados de popularidade.

Patrus foi contra a aliança que elegeu Márcio Lacerda (PSB). "A nossa força está, sobretudo, nas pessoas que nos apoiam. Não temos condições de disputar economicamente com o nosso adversário", ressaltou.

Nos bastidores, peemedebistas e interlocutores de Costa reclamam que lideranças ligadas ao ex-prefeito não se empenharam na campanha para o governo. Numa disputa pouco amistosa com o peemedebista, o petista foi preterido na indicação como candidato ao governo. A definição do candidato em Minas acabou sendo imposta pelas cúpulas nacionais do PT e do PMDB, como parte do acordo que selou a aliança nacional das siglas.

Na campanha de Pimentel, as queixas são semelhantes. Aliados do ex-prefeito alegam que os peemedebistas e parte do PT também não se esforçaram pela candidatura ao Senado. "Exigir que um candidato ao Senado, que há dois anos não está num espaço público e que abriu mão do governo por uma aliança nacional, carregue uma disputa estadual, é muito para a nossa candidatura", reclamou um petista próximo ao ex-prefeito.

O Estado não conseguiu contato ontem com Patrus e Pimentel. O coordenador da campanha do ex-prefeito, deputado federal Miguel Correia Júnior (PT), disse que Patrus "tem todo o direito de fazer avaliação sobre o processo de 2008 e de 2010, mas o processo de 2010 não está encerrado". "Não podemos ser responsabilizados por um modelo que inclusive já foi testado nas eleições", disse, referindo-se às derrotas de Costa nas disputas pelo governo em 1990 e em 1994.

Após um encontro com religiosos, Costa procurou por panos quentes na polêmica. "Nós, do PMDB e do PT, nunca nos sentimos tão próximos em todas as regiões do Estado, principalmente em Belo Horizonte", afirmou. "Vamos com força e garra votar no próximo domingo."

A última pesquisa Ibope mostra que Costa está 13 pontos porcentuais atrás do tucano, que venceria no primeiro turno. Para o Senado, Aécio lidera com 69% das intenções de voto.

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