Paulinho diz que ficará no Rio

Ele não mudará rotina após assalto

Márcia Vieira, RIO, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

Paulinho da Viola não pensa em se mudar do Rio. Vítima de um assalto à mão armada na tarde de domingo, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, o compositor, de 65 anos, nem sequer cogita mudar a sua rotina. "O que houve comigo poderia acontecer com qualquer pessoa em qualquer grande cidade do Brasil. A gente vive numa roleta", disse ontem, em sua casa, a poucos quilômetros do lugar onde seu carro foi cercado por homens armados quando ele ia com a mulher, Lila Rabello, encontrar amigos num restaurante. Paulinho não pensa nem em blindar o carro. "De jeito nenhum. Isso não me faria agir diferente. Nem penso em andar armado. Acho que, se tivesse uma arma, acabaria atirando em mim mesmo, jamais em outra pessoa." O artista até pensa em comprar um sítio na região serrana do Rio, mas não para morar. "Queria um lugar para me isolar de vez em quando. Ficar no silêncio absoluto." Três dias depois do assalto, Paulinho tentava entender por que tinha agido com tanta frieza e tranqüilidade. Quando viu os bandidos saírem armados do carro em frente ao seu, abriu os vidros, a porta e saiu entregando tudo. "Acho que, por ouvir tantas histórias de violência, eu tinha essa sensação de que poderia acontecer também comigo. Mas sempre achei que, quando isso acontecesse, eu poderia ter um enfarte ou uma crise nervosa. O que me espanta é que eu não tive nada. Dormi muito bem na noite seguinte", disse. Até ontem, seu Honda Civic, que foi levado pelos bandidos, não tinha sido encontrado. "Mas isso é o de menos. Quando o seguro me pagar, eu compro outro."No réveillon, ele se embrenhou com a mulher pelo Alto da Boa Vista, região erma da cidade onde o ortopedista Lídio Toledo de Araújo Filho foi atacado ontem por bandidos. Paulinho teme que o aumento da violência em cidades como o Rio e São Paulo faça exacerbar a reação da sociedade. "Quanto mais violentas ficam as cidades, mais as pessoas apelam para soluções extremas. É preciso ver que a violência está em todos os cantos." E ele foge dela desde a juventude, quando num morro do Rio se chocou com a naturalidade com que crianças passavam pelo corpo de um jovem assassinado. "É uma imagem que me perseguiu por muito tempo." Famoso por seu jeito tranqüilo, não gosta nem de ver filmes violentos. Não assistiu ao polêmico Tropa de Elite. "O filme pode ser muito bom, mas não quero ver essas coisas. Prefiro ler um livro."

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