Paulista ganha 21 vezes mais que maranhense

Renda per capita aumentou R$ 346 em 20 anos, mas desigualdade entre municípios se mantém

29 Julho 2013 | 23h03

A renda per capita dos brasileiros aumentou R$ 346,31 entre 1991 e 2010. Hoje, o País tem um IDHM Renda alto, de 0,739, e um pouco menos desigual: 78% cresceram mais do que a média nacional. As diferenças, no entanto, são escancaradas quando se compara o município com maior IDHM Renda do País, São Caetano do Sul (SP), com o menor, Marajá do Sena (MA). Um morador da cidade paulista ganha, em um mês, 21 vezes o que recebe o maranhense.

 

Concentração

Apesar do avanço das regiões mais pobres do País ser visível, a concentração de renda no Sul e no Sudeste ainda é inegável: 60% das cidades sulistas têm IDHM Renda alto, enquanto no Nordeste 78% estão na faixa baixo. O Atlas mostra que, apesar de a renda no Norte e Nordeste ter crescido mais rapidamente, esse foi o índice em que as diferenças ainda se mantêm mais profundas.

Em 2010, ano da coleta dos dados pelo Censo, quase 20% das cidades brasileiras tinha renda per capita inferior a um salário mínimo da época (R$ 510), valor já considerado renda baixa pelos critérios do governo. Apenas duas, São Caetano e Niterói, ultrapassavam R$ 2 mil de renda per capita.

"Se a gente olhar esse período foi exatamente quando a desigualdade caiu. Ainda é muito grande, claro. Entre a melhor e a pior, a diferença é gigantesca. A fotografia do Brasil é muito desigual. Mas houve redução entre pior e melhor, isso é claro", analisou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Néri.

 

Sem espaços brancos

No mapa do Brasil é possível ver que os espaços brancos, dos municípios em que renda era quase uma palavra desconhecida, quase desapareceram, especialmente no Nordeste. São, hoje, apenas 132 os que têm, atualmente, IDHM Renda muito baixo. Eram 2.469 há 20 anos, espalhados do Rio Grande do Sul ao Amazonas.

Das dez cidades onde a renda mais subiu, nove ficam no Nordeste e uma no Norte, no Tocantins. Nova Colinas, no sul do Maranhão, aumentou seu IDHM Renda em 120% desde 1991. Em Poço de José do Moura (PB), o crescimento foi de 117%. Todas as dez primeiras tinham índices considerados muito baixos em 1991. Apenas uma, Isaías Coelho, no Piauí, conseguiu alcançar um índice médio.

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