Paulistano economiza em média R$ 80/mês com Bilhete Único

Os cerca de 3 milhões de usuários dos coletivos municipais vão conseguir economizar, em média, R$ 80,00 por mês em passagens com a implantação do Bilhete Único, uma da principais bandeiras da reeleição da prefeita Marta Suplicy (PT). A estimativa é do secretario municipal dos Transportes, Gerson Luís Bittencourt, em entrevista exclusiva à Agência Estado. A redução equivale a R$ 47,42% do valor da cesta básica. "A economia depende do número de viagens que cada um faz. Mas o paulistano que costumava fazer quatro viagens vai conseguir economizar pelo menos R$ 3,40 por dia, o que no final do mês (levando em conta 25 dias) dá pouco mais de R$ 80,00. Com a minha empregada já está acontecendo isso", diz o secretário. Se confirmada a economia média de R$ 80,00 por mês, comenta Bittencourt, no final do ano a redução de custos com transporte público poderá chegar a R$ 1 mil. "Esse valor para a população carente tem um impacto muito grande. Dá para comprar até uma geladeira, um colchão."O economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade, Márcio Pochmann, que recentemente apresentou um estudo sobre os custos do deslocamento do trabalho no País, enfatiza que os impactos econômicos e sociais com o Bilhete Único são consideráveis. Em relação à redução dos gastos com transportes, o economista afirma que as estimativas apontam que deverá haver migração da renda da população mais carente para as áreas da alimentação, vestuário e lazer. Pochmann destaca ainda que estudo realizado pela Prefeitura de São Paulo aponta que com o Bilhete Único deve haver, em média, queda de 1,8 ponto percentual na estrutura de custo das empresas com vale-transporte.Mas os impactos com a chegada do Bilhete Único, lançado há menos de um mês pela prefeita Marta Suplicy, vão além dos financeiros, atesta Pochmann. Ele cita, por exemplo, a redução no tempo de deslocamento, o que tem impacto na produtividade. "Perder menos tempo para chegar ao trabalho tem reflexo na produção", afirma.O secretário dos Transportes acrescenta que análise feita por técnicos de sua pasta indica estar havendo redução média entre 20 a 40 minutos, por viagem, no tempo de deslocamento na cidade. "Isso é muito importante porque a maior parte das empresas leva em conta, durante o processo de seleção de funcionários, o número de passagens necessárias para que o candidato a vaga vá e volte do trabalho e o tempo gasto."Bittencourt explica que um dos motivos da redução no tempo da viagem é que o usuário dos coletivos municipais (peruas e ônibus) não fazem mais o chamado "sentido negativo". "O paulistano não precisa mais fazer o sentido negativo de ir ao terminal para fazer a integração e não pagar a segunda passagem. O cidadão desce onde quer e embarca onde quer na cidade de São Paulo", afirma o secretário.O secretário dos Transportes comenta que a implantação do Bilhete Único faz parte de um processo iniciado pela Prefeitura desde o início da gestão de Marta Suplicy. Para chegar ao sistema de bilhetagem eletrônica, destaca ele, foram tomadas uma série de medidas. Bittencourt cita dois momentos do processo, considerado por ele, "mais difíceis". "O primeiro foi o enfrentamento da máfia dos transportes e o segundo a racionalização do sistema (divisão entre peruas e ônibus) realizada no ano passado." Impacto políticoPara implantar o Bilhete Único, a Prefeitura investiu R$ 70 milhões em tecnologia. Mas as cooperativas e empresas de ônibus também tiveram de aplicar recursos no processo. "Hoje a cidade de São Paulo é quem manda no transporte da cidade. Ela não é refém nem de cooperativas e nem de empresários", comemora Bittencourt.Segundo fontes, o PT fez pesquisa que aponta crescimento da popularidade da prefeita de dez pontos depois do lançamento do Bilhete Único. O presidente municipal do PT e um dos coordenadores da campanha à reeleição de Marta, deputado Ítalo Cardoso, nega que o partido tenha feito tal levantamento. Mas os números da Prefeitura confirmam que o paulistano, ao menos, está curioso por experimentar a nova proposta: em menos de 30 dias já foram comercializados 2,1 milhões de cartões e 50% dos pagamentos das passagens de ônibus já estão sendo feitos com o Bilhete Único no município.

Agencia Estado,

21 de junho de 2004 | 08h37

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