Paulistano passa tarde de cão com a chuva

Uma tarde de cão para motoristas de carros e motos e, principalmente, para quem se aventurou a andar de bicicleta, carroça e a pé pelas ruasde São Paulo. A dona-de-casa, Virnia da Luz Santos, de 55 anos, mãe de oito filhos,avó, não sabe se de 15 ou 16 crianças, e bisavó de quatro, saiu de casa, na Rua Rosas de Ouro,43, Bairro do Limão, para ir até o açougue, e quase foi arrastada pela correnteza, com aágua pela cintura, na Avenida Nossa Senhora do Ó.?Fui comprar mistura prá janta. Acheique não estava tão cheio.?Embrulhado em um plástico amarelo, o pernambucanoEdmilson Costa da Silva, de 25, procurava uma rua seca para atravessar. Ele queria alcançar um ponto de ônibus e pegar condução para o Jardim Damasceno, depois do trabalho. Silva não queria molhar o tênis novo, ganho de presente de Natal.?Eu é que não passo por aí. Se encharcar os pés vai dar um chulé danado.?Ao voltar do trabalho, pouco depois das 15 horas, o jardineiro da Prefeitura, José Manoel dos Santos, de 36, encontrou o Fiat 147, ano 78, placas CXQ-8152 boiando no meio da rua. É o primeiro carro dele. Sempre deixou o carro ali, na calçada da Rua Beira Rio, onde mora há quatro anos. Um vizinho ainda tentou salvar o carro, empurrando-o para o meio da rua. Não teve jeito. ?Daí ele não vai para lugar nenhum?, resignou-se Manoel, enquanto escorria a água do Fiat, com panos e vasilhas. ?Nem ligar para saber se ainda funciona eu posso.?Sem poder alcançar a Marginal Tietê pela Marquês de São Vicente, que foi fechada pela CET, os motoristas atravessavam a ponte Júlio Mesquita e tentavam caminhos alternativos. Todos alagados. Passavam só caminhões, e bem devagar. Os carrospequenos foram ficando pelo caminho. Por volta das 16h30, mais chuvas na zona nortee um caos.Casas alagadas, confusão total no trânsito, motoristas fazendo meia volta e tentandosaídas que não dava em lugar nenhum. Carros com água até às portas, piscas-alertasligados, nervosismos. Os mais prudentes colocavam os veículos subiam na calçadas, e os mais afoitos enfrentavam a tormenta e acabavam acionando os guinchos, o que aumenmtava mais ainda a confusão. Na Rua Francisco Rodrigues Nunes, onde fica uma favela, todas as casas ficaram inundadas. Eletrodomésticos e os poucos móveis arruinados. Quando a água começou a subir, ratazanas saíram das tocas.?Em menos de meia hora os meninos mataram umas 10, que eu vi, cada ?gabiru? que não tem mais tamanho?, contou a dona de casa Neilza Jorge de Santana Santos, de 33 anos, que mora em um ?sobrado? - parte superior de um barraco -, na Rua Luar do Meu Bem, Bairro do Limão. Mesmo assim, as crianças continuaram nas ruas, com água pelas canelas. Na ponta da Rua Eulálio da Costa Carvalho, a água chegou à altura do peito de quemse atreveu a passar.

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