Paulistano quer mais ousadia na Prefeitura

Cenário eleitoral é favorável a mudanças, mas não significa rompimento com Kassab

IURI PITTA, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2011 | 03h05

Previsão de ventos favoráveis aos que souberem apresentar suas novidades na eleição à Prefeitura de São Paulo. Uma pesquisa encomendada pelo diretório municipal do PT obtida pelo Estado mostra que 70% dos paulistanos querem mudanças na maior parte ou na totalidade das políticas públicas da gestão Gilberto Kassab, embora a maioria dos 1.786 entrevistados reconheça que o prefeito fez coisas importantes para a cidade. A um ano de voltar às urnas, o eleitor sente saudade do Kassab de 2008 e espera encontrar um candidato semelhante em 2012.

Segundo o estudo, feito entre 24 e 30 de agosto e mostrado na semana passada à bancada de vereadores do PT, 26% dos entrevistados defendem a continuidade da maior parte ou de todas as políticas de Kassab, ante 41% que pregam total mudança nas ações da atual gestão. Mesmo onde a avaliação do prefeito é positiva - a macrorregião classificada pela pesquisa como nobre, reunindo bairros como Jardim Paulista, Perdizes, Vila Mariana e Tatuapé, entre outros -, 63% querem mudança na maioria ou na totalidade das ações de Kassab.

O contraste entre as áreas em que o prefeito é bem avaliado e as que são consideradas prioritárias pelos paulistanos ajuda a entender esse quadro. Kassab obtém as melhores notas em setores como limpeza urbana, conservação de ruas e praças e lazer e cultura, que os eleitores veem como itens de baixa prioridade. À medida que a importância das áreas cresce, a nota dada a Kassab cai. Para o paulistano, a Prefeitura está trabalhando, mas não está fazendo a diferença no que mais importa.

Impacto. Quando o prefeito decidiu disputar a reeleição, em 2008, era quase um desconhecido diante de adversários como a ex-prefeita petista Marta Suplicy e o ex-governador tucano Geraldo Alckmin. Vencer os rivais foi um desafio que Kassab só teve a certeza de que seria possível ao aliar seu nome - o menos conhecido dos três até poucos meses antes da votação - ao sucesso da Lei Cidade Limpa, que regulamentou a publicidade externa e baniu os outdoors, e das unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

O levantamento do PT indica que o próximo prefeito deve unir essas qualidades: ser uma novidade no cenário político, mas com uma ficha de serviços prestados e que façam diferença na vida das pessoas. Esse é o desafio que, no atual cenário de pré-candidaturas dos principais partidos, se coloca a todas as siglas.

Para os petistas que pensam como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o currículo de Fernando Haddad no Ministério da Educação vem a calhar na função de mostrar os feitos do pré-candidato. O cenário só não é totalmente ideal para o apadrinhado de Lula porque a memória da gestão Marta Suplicy ainda é bastante positiva (leia ao lado).

No cenário tucano, todos os pré-candidatos têm passagens por secretarias estaduais. O desafio é dissociar o PSDB de Kassab: para o eleitor, o prefeito tem força própria, mas ainda faz parte do campo tucano e antipetista.

O desejo do paulistano por mudança, reconhecem petistas que tiveram acesso à pesquisa, não significa virar as costas para Kassab. Ainda há espaço para um candidato apoiado pela atual gestão, desde que o prefeito reverta a má avaliação das últimas pesquisas - como o Estado mostrou, já há em curso uma agenda positiva para esse fim. Kassab também precisa escolher um candidato que mostre aos eleitores ser arrojado como ele próprio aparecia em 2008 - e como foi ao longo de 2010, na criação do PSD.

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