Paulistanos avaliam site das metas

Crítica comum entre os entrevistados, de todas as regiões, é falta de cronograma e de orçamento das obras

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

No início do mês, a Prefeitura lançou o site do plano de metas da gestão Gilberto Kassab (DEM), batizado Agenda 2012, no qual apresenta ações prioritárias da administração para os próximos quatro anos. O objetivo da página, segundo a Prefeitura, é permitir que a população acompanhe a implantação das propostas, com "monitoramento e avaliação das ações". Na semana passada, o Estado fez o teste: pediu ao público-alvo do website - cidadãos paulistanos de diferentes perfis - para que avaliasse o material disponível na internet.Sete questões foram encaminhadas a cinco cidadãos de todas as regiões da capital: se é possível entender, apenas por meio do site, o que é o plano de metas; se é possível avaliar como sua região foi contemplada; se sua região foi bem ou mal contemplada; em que pontos sua região foi melhor atendida; em que pontos foi mal contemplada; se será possível cobrar das autoridades o cumprimento das metas; e o que poderia melhorar no material divulgado na internet pela Prefeitura.Sobre o significado do plano de metas, os moradores entrevistados foram unânimes: todos entenderam seu significado utilizando somente o website como fonte de informação, mas reclamaram da forma de apresentação das metas. "O conteúdo é apresentado de forma acadêmica demais", disse a professora universitária Maria Stela Graciani, de 55 anos, moradora de Perdizes, na zona oeste. "Linguagem mais popular, para nós do outro lado do rio, facilitaria para entender e cobrar", avaliou o comerciante Luiz Valdemar Bollier, de 61 anos, líder comunitário na Brasilândia, zona norte. "Se no site estivesse identificado um item ?zona norte, Brasilândia?, com as propostas, o morador não perderia tanto tempo procurando entre as mais de 200 metas."Uma crítica comum entre os entrevistados foi a falta de cronograma das obras e de seus orçamentos. "Não há o que cobrar quando não há ideia do quanto será investido ou dos prazos", avaliou a estudante de Serviço Social Cristiane Carvalho de Oliveira, de 22 anos, moradora da Vila Missionária, na zona sul. "Difícil (cobrar), a não ser de forma geral, sem cronograma de obras e planilha de custos", disse o publicitário Alberto Gattoni, de 68 anos, morador da República, no centro.Ainda não há prazos, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento, para divulgação de datas e orçamento das metas. "O site está em construção. Numa próxima fase, o cidadão poderá monitorar o que está sendo cumprido e em qual fase está, e haverá espaço para diálogo entre a população, sociedade civil e técnicos da administração", informou a Secretaria, por meio de nota. Segundo a pasta, o andamento das metas ficará disponível no site à medida que as obras tiverem início.Nas primeiras audiências públicas, realizadas na quarta-feira, os participantes cobraram maior detalhamento das metas. "Prazo das obras e localização específica das metas, divididas por subprefeitura e distrito, como previsto em lei, foram os tópicos mais cobrados", disse o presidente do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew.O plano de metas da gestão Kassab, lançado em 31 de março, foi dividido em seis eixos: Cidade Sustentável, Cidade dos Direitos, Cidade Criativa, Cidade de Oportunidades, Cidade Eficiente e Cidade Inclusiva. É a primeira vez que a administração vai trabalhar com metas, a serem acompanhadas pela população e pelo Legislativo. Trata-se de exigência legal, criada por emenda à Lei Orgânica do Município, no ano passado. Na semana que vem, serão realizadas audiências temáticas, para discutir os seis eixos do plano.Abaixo, pontos positivos e negativos apontados pelos cidadãos com relação ao plano de metas, nas entrevistas realizadas pelo Estado. A relação das metas está disponível em www.prefeitura.sp.gov.br/agenda2012.

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