Paulistanos no top 30 do mundo

Escritório da Vila Madalena está na lista dos mais promissores de 2009, segundo a revista britânica ?Wallpaper?

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

11 Julho 2009 | 00h00

Os arquitetos paulistanos Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz estão sorrindo. E não é à toa. Pela primeira vez um escritório brasileiro integra o catálogo anual que a revista britânica Wallpaper - especializada em arte, design e arquitetura - publica desde 2007. O trio está à frente do felizardo escritório, que carrega suas iniciais no nome: FGMF. "Ficamos meio surpresos porque tem um monte de brasileiro estourando por aí", admite Forte. "A escolha é um selo de qualidade ao nosso trabalho", comemora Gimenes. "O eco internacional da publicação certamente será grande. Isso nos renderá grande reconhecimento."   Veja croquis de outros projetos Criado há dez anos, quando eles ainda eram estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o FGMF começou a ganhar notoriedade internacional do ano passado para cá. "Chegamos a sair em publicações especializadas de dez países", estima Gimenes. "Aparecemos na Índia, Itália, Eslovênia, Equador...", enumera Forte, lembrando que, em maio, eles estiveram na Bienal de Arquitetura de Pamplona, na Espanha. Tamanha exposição, acreditam eles, funcionou como um ímã para os olhos dos editores da Wallpaper. O anuário não busca coroar arquitetos já consagrados, mas revelar tendências. Ou seja: com a seleção, a revista procura mostrar quais são os 30 escritórios de arquitetura mais promissores do mundo. Assim que a publicação escolheu os integrantes da edição, passou aos eleitos uma missão: em um mês, deveriam desenvolver um projeto conceitual que exprimisse os principais conceitos da linha arquitetônica da equipe. Para cumprir a tarefa, o trio paulistano lançou mão das conclusões a que chegou no ano passado, quando resolveu refletir sobre pontos em comum da produção do escritório - até agora são mais de 160 projetos realizados. A casa conceitual apresentada à Wallpaper não tem nada de convencional: graças a trilhos, os cômodos se movimentam e os espaços podem assumir diferentes configurações. Quando ela está completamente "fechada", ocupa apenas 77 m² de um terreno de 400 m². Mas, conforme os movimentos, a área útil pode abranger todo o espaço disponível. "É uma ideia meio maluca", concorda Forte. "O cara pode abrir tudo e dar uma superfesta. Depois fechar e ir dormir." Essa exploração da gradação dos espaços, uma rica confusão do que é dentro e do que é fora, de certa forma tem sido uma constante na carreira do trio. "Acontece de o cliente perguntar qual é a área construída da casa e a gente nunca saber direito", diz Marcondes Ferraz. Em resumo, eles frisam que gostam de provocar as relações entre as pessoas por meio das dinâmicas espaciais. Essas características podem ser percebidas - ainda que de forma mais sutil - em outras obras do FGMF que conta, além dos sócios-proprietários, com outros 13 funcionários. É o caso da sede do Projeto Viver, entidade social do Jardim Colombo, cujo prédio ficou pronto em 2006. "Percebemos que o que faltava para os moradores da favela era o espaço público. Então criamos várias áreas livres que passaram a funcionar como praças", explica Marcondes Ferraz. "Preocupamo-nos em fazer um prédio muito simples, para que não assustasse aquela população. Não poderia ser nada suntuoso." A obra acabou rendendo ao escritório duas premiações: menção honrosa na Bienal de Arquitetura de Brasília e o Prêmio Especial Eduardo Kneese de Mello, do Instituto de Arquitetos do Brasil. Até agora, os arquitetos acumulam 18 prêmios. FUTURO A próxima empreitada deve ser um complexo comercial de 2,7 mil m² na Vila Madalena. Mas esqueça a ideia de um prédio certinho ocupado por engravatados. "Será o oposto da Vila Olímpia", antecipa Forte, comparando com o bairro conhecido por abrigar empresas multinacionais. O projeto, que deve começar a sair do papel no segundo semestre - a previsão é que fique pronto em 2010 -, valoriza as áreas comuns, com espaços de interação entre os funcionários de diversas empresas. E todas as 21 unidades terão varanda. Eles têm consciência de que o sucesso chegou cedo. Aos 32 anos - idade comum ao trio -, não é usual tal destaque nessa área. "A arquitetura tem um tempo para acontecer", acredita Forte. "Acabamos estourando mais cedo. Nosso material emplacou lá fora."

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