Paulistas comemoram 75 anos da Revolução Constitucionalista

Cerca de 4 mil pessoas acompanharam o desfile cívico em comemoração aos 75 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, nesta segunda-feira, 9 de julho. A solenidade aconteceu por volta das 9 horas, no Parque do Ibirapuera, onde está o mausoléu com restos mortais de combatentes da Revolução. A cerimônia foi dividida em três partes. A primeira, um desfile de urnas com restos mortais de sete mortos na Revolução. A segunda, uma outorga de medalhas a 40 pessoas que contribuem para manter vivos os valores da Revolução, e a terceira, os desfiles cívico e militar. Os desfiles começaram às 11 horas e duraram cerca de uma hora. Quem abriu o festejo foram os veteranos da Revolução. Entre eles o combatente veterano Egberto Maraluz, que passou o comando simbólico do exército constitucionalista a Oswaldo Diana, de 98 anos. Muito emocionado, Diana discursou para o público. "Nunca pensei que pudesse ser homenageado assim. Aqui a gente fica fraco, diferente da trincheira, onde tínhamos que ser fortes", disse. Logo em seguida, urnas com os restos mortais de sete combatentes foram levadas ao Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Obelisco do Ibirapuera. Lá, com honras militares e salva de tiros, foram sepultadas. O combatente veterano Francisco Manoel Raposo de Almeida participa todos os anos da comemoração do 9 de Julho. "Enquanto mantiver a tradição ninguém esquece a nossa luta", afirmou. Ele tinha 18 anos quando de alistou voluntariamente no Exército Constitucionalista. "Fiquei sabendo na Faculdade de Direito que estavam chamando combatentes. Me alistei e quando meu pai e primos ficaram sabendo, se alistaram também", contou Almeida. São Paulo comemora nesta segunda-feira, 9, os 75 anos da Revolução Constitucionalista de 1932. Segundo o historiador José Alfredo Vidigal Pontes, a Revolução Constitucionalista de 1932 foi um dos episódios mais importantes da história republicana brasileira no século 20. Pressionado pelos "tenentes" - jovens oficiais rebelados nos 20 -, o Governo Provisório relutava em devolver ao País a vigência do estado de direito. O agravamento das divergências resultou na eclosão de um movimento revolucionário pela reconstitucionalização do País. Iniciada na noite de 9 de julho de 1932 em São Paulo, a Revolução Constitucionalista não era "revanchista" ou "separatista", como alardeou a bem-sucedida propaganda do Governo Provisório a todo o País. Segundo o historiador, "o isolamento a que São Paulo foi relegado logo no início foi resultado de uma eficiente contra-ofensiva política e militar de Vargas." A Revolução Constitucionalista foi, na essência, uma confrontação ideológica nacional entre os "tenentes", defensores de um regime autoritário, e, de outro lado, oficiais de alta patente e uma grande parte dos políticos que tinham apoiado a candidatura de Getúlio Vargas à Presidência na campanha da Aliança Liberal de 1929/30, assim como a revolução de 1930 - seus aliados de véspera, portanto. Esta dualidade atravessou os anos 30, resultando na vitória do autoritarismo com o golpe do Estado Novo (1937). Depois de 85 dias, a Revolução Constitucionalista chegou ao fim em 2 de outubro, com o triste saldo de cerca de 600 insurgentes mortos e 200 nas tropas do Governo Provisório. Lideranças civis e militares rebeldes foram expatriados e não puderam participar da eleição da Constituinte, em maio de 1933. Mesmo assim, os constitucionalistas conseguiram eleger 71% dos representantes paulistas. Essa inquestionável demonstração de popularidade acabou forçando Vargas a conceder anistia geral e promulgar nova constituição em 1934. (Colaborou Thalita Pires, do Jornal da Tarde)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.